Descobrindo novos cronistas...
sobre o blog
Acredito que todos nós um dia na vida já escrevemos um texto que gostaríamos de compartilhar com outras pessoas, mas cadê espaço?

Foi pensando assim que criei o Vamos Cronicar que tem uma meta muito simples: colocar na internet crônicas e contos de escritores envergonhados, anônimos, de primeira viagem e até mesmo daqueles que já sabem bem o ofício...

Para tanto gostaria de pedir a vocês que mandem suas crônicas, contos, poesias que estão aí, guardadinhas na sua mente ou esquecidas numa gaveta, para cá.

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Maria Carolina,criadora do blog
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Sexta-feira, Dezembro 22
Aeroporto Dois de Julho - Murilo Alves

"Cada aeroporto/é um nome num papel/um novo rosto/atrás de um mesmo véu..." O início da letra de "Solidão, Que Nada", do eterno Cazuza, está inteiramente ligada a questão do Aeroporto Internacional de Salvador, que atualmente leva o nome do deputado Luís Eduardo Magalhães, já falecido, mas que já se chamou Dois de Julho, data símbolo da Independência da Bahia, historicamente negligenciada pelos livros didáticos de História do Brasil que tivemos na escola.

Antes é necessário que se faça uma pequena contextualização, levando-se em consideração os leitores deste espaço na internet que não tiveram a felicidade de nascer na Bahia. Pois bem, vamos a ela. Tudo andava relativamente bem na terra de todos os santos, quando o então senador Antonio Carlos Magalhães propôs a alteração do nome do aeroporto da capital.

Para os que ainda desconhecem Salvador é sempre válido lembrar que familiares de ACM também são homenageados em avenidas, viadutos, escolas e, é claro, no aeroporto também. Reflexos de um regime coronelista que vingou cá na mais inusitada das terras brasileiras durante quatro décadas. Hoje, com a vitória de Jaques Wágner para o governo do Estado, os tempos são outros, o que nos remete a essa velha discussão.

E agora? O aeroporto terá novamente o nome decente e justo de outrora? Escrevo este texto porque ouço constantemente este tipo de pergunta por onde quer que eu esteja, nos dias atuais. Já ouvi a respeito na faculdade, nos lábios do casalzinho apaixonado que conversava ontem nos bancos traseiros do Federação/Ribeira (lotado como sempre), na padaria, enfim.

Gente, em primeiro lugar, vejo uma falta de informação latente nas pessoas ao tratarem deste tema. Primeiramente, por incrível que pareça, ACM não ordenou, simplesmente ao governador baiano daquele contexto, César Borges-PFL que trocasse a denominação do aeroporto internacional da cidade.

Trata-se de um maldito projeto de lei aprovado tanto pela Câmara de deputados como pelo Senado brasileiro naquele período e sancionado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, uma espécie de namorada do velho coronel na época. Lembro que eles brigaram feio e tiveram uma crise conjugal tempos depois...

Mas é evidente a influência direta do "babalorixá" da política baiana em tal caso. Seja na proposta da lei, como nas exigências que deve ter feito aos seus correligionários e simpatizantes ideológicos para que as aceitassem. O que não vem ao caso. Porque o meu objetivo é deixar bem claro que o governador eleito, Jaques Wagner, não é mágico, e que uma nova troca de nome do aeroporto de Salvador não depende exclusivamente de boa vontade.

Dificilmente a data-símbolo do orgulho baiano será incrustrada no prédio onde hoje, está o nome do filho do Senador, que, provavelmente deve ser um admirador do imperador Alexandre, O Grande, vaidoso ao extremo ao ponto de nomear uma série de cidades conquistadas com o próprio nome... Pode ser que ele não tenha lido somente Maquiavel, Napoleão e a trilogia de O Poderoso Chefão, vejamos que temos uma evolução intelectual aí...

Penso que importante realmente, é o fato de que os baianos reconhecem o Dois de Julho como verdadeiro nome do aeroporto. É a data revolucionária marcada pelo sangue e o suor do povo heróico da Bahia que permeia o coração dos soteropolitanos. É o que vale. Ademais, relembremos Cazuza para jamais esquecermos que, de fato, "Cada aeroporto/é um nome no papel..."

O poder deles é limitado. O nosso não.