Descobrindo novos cronistas...
sobre o blog
Acredito que todos nós um dia na vida já escrevemos um texto que gostaríamos de compartilhar com outras pessoas, mas cadê espaço?

Foi pensando assim que criei o Vamos Cronicar que tem uma meta muito simples: colocar na internet crônicas e contos de escritores envergonhados, anônimos, de primeira viagem e até mesmo daqueles que já sabem bem o ofício...

Para tanto gostaria de pedir a vocês que mandem suas crônicas, contos, poesias que estão aí, guardadinhas na sua mente ou esquecidas numa gaveta, para cá.

Participe e obrigada por visitar esse espaço!
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Maria Carolina,criadora do blog
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Segunda-feira, Setembro 18
PROFESSORES QUE SE ACHAM DEUSES
Murilo Alves


¿Deixem Alexandre pensar que é um deus, caso isso agrade a ele¿. Segundo a História, esta frase foi proferida por um ancião grego ao se referir ao imperador Alexandre ¿ O Grande ¿ dono do trono de um vasto império desde Roma, passando pela Gália até o continente africano, onde conquistou o Egito.

Consta-se ter sido Alexandre o maior imperador de todos os tempos. Um homem dotado de liderança influente entre as massas, extremamente corajoso, além da habilidade com a espada que o caracterizou como um duelista fabuloso.

Contudo, o imperador permitiu ser infectado por uma moléstia que atende pelo nome de vaidade, tornou-se arrogante como o José Dirceu e egocêntrico como Caetano, defeitos que o impediram de ter sorte melhor em seus propósitos.

Em nível universitário, posso perceber que boa parte dos professores parece ter sido infectada pelo ¿vírus Alexandrino¿. Salvo as justas exceções existentes. Elas ainda existem, embora estejam cada vez mais escassas.

Aqueles professores que se acham deuses são caracterizados por fatores cada vez mais evidentes nas salas de aula. Eis alguns:

1º Em geral, viajaram ou ainda viajam muito para o exterior (normalmente para a Europa), o que lhes dá uma falsa sensação de terem mais vivência que os demais mortais;

2º Alteiam o nariz antes de pronunciarem qualquer palavra, assim como os ingleses, sem falar no hábito que possuem de cortar as opiniões dos alunos que ousem contrariá-los;

3º Falam muito, como se a língua deles fosse ser subtraída no dia seguinte por alguma força sobrenatural;

4º Adoram expor a vida pessoal em salas de aula. O que inclui experiências sexuais e/ou afetivas frustradas pelos desalentos do destino;

5º Parecem apenas alucinados em suas crises existenciais, mas eles não são malucos, sentem-se sozinhos, expressam as marcas da solidão em suas atitudes e pensamentos.

Assim como os professores que se acham deuses também existe a modalidade dos alunos que, já infectados pelo ¿vírus Alexandrino¿, se consideram igualmente deuses. Eles destratam funcionários da faculdade apenas porque o fato de pagarem as mensalidades (em geral são os pais que pagam) lhes dá esse ¿direito¿... Segundo o que ouço constantemente pelos corredores, entre outras manifestações neo-playbois-acadêmicas.

Há um ano e meio, antes de eu ingressar no nível superior, confesso ter imaginado o espaço universitário como um verdadeiro campo de discussões diversas, onde, sobretudo, os professores trariam à baila questionamentos perturbadores para as salas de aula, o que incentivaria o esforço de nós alunos a estudar as possíveis soluções para os problemas na sociedade.

Todos nós temos uma série de problemas pessoais que só deveriam dizer respeito a nós mesmos. Ocorre que eu já perdi as contas de quantas vezes boa parte dos professores ocupa o tempo da aula nos ocupando com os próprios problemas.

Seja a professora que deixou o noivo na porta da igreja momentos antes do casamento, seja o professor que costuma deixar bem claro o interessantíssimo (perdoem o superlativo) fato de ser um comprador de sardinhas de Compostela, ou, ainda, aquela que se julga mais culta por já ter lido grandes filósofos enquanto éramos paridos por nossas mães, como se a maturidade intelectual pudesse ser medida pela quantidade e pelos anos, e não pela qualidade da leitura...

Digo tudo isso porque estou entristecido com a realidade na academia.

Digo tudo isso porque entendo a profissão dos professores como uma das mais importantes na vida de todos nós.

Agora, caso permaneçamos calados diante do que está ocorrendo nas salas de aula das faculdades brasileiras, não haverá outra solução a não ser seguirmos aquele velho exemplo do ancião grego dos tempos de Alexandre, ou seja, deixarmos que eles se achem deuses, se assim os agrada