Até que a coerência nos separe
Rafael Fonseca Lemos
O mundo é feito de dúvidas, eis aqui uma grande certeza. Outra certeza das grandes é que a frase anterior se constitui num paradoxo evidente; evidentemente dos piores.
Mas o que eu quero realmente dizer é que nós sempre nos deparamos com a dúvida e, tudo o que queremos, é um pouco de certezas diante das questões da vida. Pois bem, não é que dia desses me surgiu um amigo atormentado por uma dúvida tão cruel quanto corriqueira?
O caso era o seguinte: ele queria saber se a guria, de quem ele estava gostando, gostaria dele também, ou não. Grande dúvida, sem dúvida! Como o problema me foi submetido, resolvi passar logo à solução.
Decidi que o primeiro passo era saber se ela sabia do amor que ele nutria por ela. Parece besteira investigar isso, mas não são raros os casos de amor unilateral. Há quem chame esses casos de amor platônico ou apenas timidez. Eu prefiro chamar de vergonha ou apenas pânico.
Segundo me garantiu o amigo, ela sabia, sim, do amor que ele sentia por ela. Agora, restava saber se o meu amigo, Fernando, realmente amava aquela guria ou se estava só interessado em ter com ela relações impróprias, intenções essas sempre muito próprias desses maus elementos que eu insisto em chamar de amigos.
Então, vejam só: para saber se alguém realmente ama outro alguém eu desenvolvi um método. Esse método consiste em ouvir a conversa do casal e depois analisar, cuidadosamente, essa conversa. Se durante a conversa um falar ao outro uma grande besteira e o outro responder com uma besteira ainda maior, será caso de paixão intensa e recíproca.
Eu explico. É que quando alguém está perto da pessoa amada fica muito atrapalhado. Fica prestando atenção na roupa, no perfume, nos olhos, na boca e se esquece de prestar atenção no diálogo. Por isso, acaba falando besteira.
Logo, quando existem duas pessoas submetidas a essa condição especial, o diálogo fica um tanto bestificado, bastante emburrecido e totalmente sem nexo.
Com base nessa técnica, eu montei um esquema com o meu amigo e resolvemos ir ao encontro dela, a amada dele, num barzinho tranqüilo do Centro da cidade, para que eles enfim pudessem conversar e eu pudesse analisar o diálogo dos dois. Assim eu poderia ouvir a conversa e definir a medida do amor que existia entre eles e, mais do que isso, eu poderia aferir se realmente havia amor entre eles. Finalmente, fomos ao bar.
Chegando lá, mal deu tempo de tomarmos um chope e ela apareceu. Ela era bonita, muito mais que bonita, era uma boneca e usava na ocasião todos os acessórios da linha da Barbie.
Loira, esguia, equilibrando seu um metro e setenta e cinco centímetros sobre saltos altos, seus cinqüenta e cinco quilos muito bem contidos num vestido preto de generosas fendas e decotes e o preto do vestido contrastando com uma boca carnuda toda pintada de vermelho.
Eu, que torço pelo Atlético Paranaense, ao ver aquela escultura ostentando as cores do meu time quase me perfilei para cantar o hino do Atlético para ela, mas me contive.
¿Que besteira, meu Deus do céu, cantar hino de time de futebol para uma mulher daquela¿, foi o que eu pensei enquanto me veio à cabeça outro comentário idiota que eu quase fiz para ela. Eu ia dizer: ¿Você é a nora que mamãe pediu a Deus¿, mas a tempo percebi que era bobagem demais.
Depois de tanta confusão mental, o que me chamou a atenção foi o fato de o meu amigo não parecer tão entusiasmado com a presença dela. Talvez por já conhecê-la, talvez por nervosismo, sei lá, e nem quis mesmo saber o motivo, afinal eu estava ali só para ouvir e analisar a conversa dos dois.
E a conversa, enfim, começou. O meu amigo disse, para quebrar o gelo:
¿ Vanessa, eu queria te apresentar o meu amigo Rafael.
Mal ele terminou de me apresentar e eu me dirigi, atrapalhado e trêmulo, para a Vanessa:
¿ O teu nome é Vanessa? Que coincidência, eu sempre quis namorar uma Vanessa! Que coincidência, que coincidência..., Vanessa, Vanessa..., eu repetia num misto de encantamento e de perplexidade.
Vendo o meu comportamento atabalhoado, lembro-me que ela sorriu e disse, docemente:
¿ Muito prazer, Rafael!
Meu Deus, ela disse aquilo e eu estremeci. Ela me disse, com todas as letras: ¿Muito prazer¿ e prazer é palavra erótica e lasciva, ao menos foi isso o que eu pensei enquanto respondia:
¿ O prazer é todo meu, Vanessa. Mas não é da boca para fora, não. É prazer mesmo, dos grandes e sem qualquer fingimento, pode acreditar. O prazer é todo meu, todo meu!
Nessas alturas o meu amigo Fernando já me olhava meio de lado, como se estivesse me reprovando, como se estivesse incomodado, mas eu nem liguei. E o Fernando impulsionava a conversa:
¿ Vanessa, o Rafael também se formou em Direito na PUC, só que um ano antes da gente. Não é legal?
Ouvindo isso eu emendei mais uma sandice, eu falei:
¿ É claro que é legal, né, Fernando? Se foi faculdade de Direito que eu fiz então é legal!
A Vanessa sorriu e foi quando eu me espantei com o tamanho da bobagem que eu havia falado. No entanto, por maior esforço que eu fizesse para dizer coisas inteligentes, não saía nada, era tudo em vão.
E o Fernando lá, falando coisas inteligentes, construindo frases bem elaboradas, discorrendo teses consistentes e exibindo teorias bastante ilustradas. Era um tal de o Fernando falar em Camus, Sócrates, Kant, Marx, Reale, Weber e eu lá, hipnotizado pela beleza da Vanessa e sem conseguir concatenar meus pensamentos.
E o Fernando falava e falava e a Vanessa, embora com um ar desinteressado, ia respondendo ao Fernando no mesmo nível, com toda desenvoltura, com todo o conhecimento e sem qualquer hesitação.
Vendo tudo aquilo eu pude constatar: nenhuma besteira foi trocada entre eles. Definitivamente entre eles não havia amor: assim dizia a minha teoria. A ausência de besteiras no diálogo entre homem e mulher equivaleria à falta de amor, indubitavelmente!
Após duas horas inteiras de Filosofia, Política, Direito e outros assuntos de mesmo desinteresse, a Vanessa se cansou da preleção do Fernando e passou a conversar comigo. Ela me perguntou:
¿ Rafael, então você gosta de Leis, não é mesmo? Fez até faculdade de Direito!
Pensei comigo: ¿Que pergunta besta! Se eu escolhi estudar as Leis é porque gosto de Direito, por óbvio¿. Respondi, tentando impressioná-la:
¿ É, eu gosto muito do Direito! É como eu costumo dizer: ¿Jus est ars boni et aequi¿, ou em vernáculo: ¿O Direito é a arte do justo e do equilibrado¿; estava criado mais um comentário inútil.
¿ Isso que você falou é Direito Romano, não é?
¿ É, é uma frase em Latim.
¿ Latim parece língua de cachorro, você não acha?
¿ Não, Vanessa, eu não acho não. Afinal de contas, cachorro não fala!
¿ Tá, mas se falasse seria em Latim, não seria? Latido e Latim, o cachorro falaria em Latim!
¿ É, talvez! Se o cachorro fosse um Pretor Romano...
¿ Mas e se ele fosse um Pastor Alemão?
¿ Ah, daí não. Se ele fosse um Pastor Alemão e ainda por cima fosse Jurista ele falaria ¿Bürgerliches Gesetzbuch¿.
¿ O que é que isso quer dizer, Rafael?
¿ Não sei, eu não falo Alemão!
¿ Ai, Rafa, você tem cada uma...
¿ E você, Vanessinha, tem cada coxa...
¿ Ai, Rafa, você percebeu como nós estamos falando besteiras um para o outro?
¿ A propósito, Vanessa, eu já te falei sobre a minha teoria da besteira recíproca?
¿ Ainda não!
¿ Pois então escuta só...
E eu e a Vanessa fomos muito felizes com nossas conversas cheias de besteiras e plenas de bobagens até o dia em que eu, falando muito sério, a pedi em casamento e ela, também séria demais, me disse sim!
Cidade Maravilhosa
Rafael Fonseca Lemos
Rio de Janeiro, novembro de 1980. Salão do Copacabana Palace. Ao fundo ouvia-se:
Strangers in the night exchanging glances
Wond´ring in the night
What were the chances we´d be sharing love
Before the night was through.
Ele, de smoking preto, caminhou em direção a ela. Ela, de vestido vermelho decotado na frente, atrás e com uma bela fenda na altura da coxa esquerda, enchia de sol a noite da Cidade Maravilhosa (sentiram a força da antítese?).
Ele se antecipou:
- Bella! - o nome dela era Isabella, com dois eles, pois nome de rico tem letra dobrada.
Ela nem o deixou terminar o travessão e foi logo disparando:
- Romualdo, o nosso caso termina aqui! - e ó, deu as costas pro Romualdo, cruzou o salão do Copa e nem se deu conta que abria, naquele instante, um rasgo enorme no coração do coitado. E saindo do Copa, a moça caiu dentro da Mercedes do Prof. Dr. Jörn Grottenthaler Ulbig, maior autoridade médica da Alemanha e Região Metropolitana, naquele início de anos 80.
Perplexo, Romualdo permaneceu estático, no meio do salão, segurando uma taça de champagne que ia oferecer a ela e seu transe só foi desfeito quando alguém chegou perto dele e ordenou:
- Ô, garçom, vê mais um uisquinho aí pra mim que o meu ó, já era!
Romualdo voltou a si e foi atrás do uisquinho, nos termos da encomenda apresentada.
Vá lá que a Isabella não era mulher pro Romualdo, mas eles tinham uma história! Tudo começou naquele mesmo ano de 1980, nove meses antes, em fevereiro, durante os desfiles das Escolas de Samba.
O Romualdo era Portela, a Isabella era Salgueiro e eles foram se achar lá na avenida, como se tivessem sido feitos um para o outro.
O problema é que o cara era garçom e isso para as pretensões de uma mulher como a Isabella era um problema e tanto. Mas não obstante as poucas posses do rapaz, a coisa foi indo, foi indo até que ela se deparou com o gringo e aí não quis saber de outra vida.
Em pouco tempo, acertou os ponteiros com o Prof. Dr. Jörn Grottenthaler Ulbig, resolveu se casar e morar lá na Alemanha. Faltava só o mais difícil: comunicar o Romualdo, mas daí ela tomou coragem e fez o que fez, conforme já dissemos. E ele ficou a ver navios.
Rio de Janeiro, novembro de 2005. Salão do Copacabana Palace. Ao fundo ouvia-se a orquestra executar:
Strangers in the night exchanging glances
Wond´ring in the night
What were the chances we´d be sharing love
Before the night was through.
Entra no salão um casal bastante elegante. Ela de vestido preto Dolce & Gabbana justíssimo, longo, cortado por uma fenda generosa na altura da coxa esquerda, sandália Manolo Blahnik e jóias Izabel Esteves. Ele trajava um terno Giorgio Armani, camisa Burberry, gravata Daslu Homem e sapato Gucci (sentiram que eu estou por dentro da moda, certo? Estão pensando o quê? Eu também sou fashion...).
Pois bem, esse era o casal que, elegantemente, entrava no salão do Copa, naquela bela noite de novembro de 2005 a fim de comemorar as Bodas de Prata.
Quis o destino que Romualdo fosse atender o casal. O alemão, alheio a tudo, olhava compenetrado o menu vastíssimo do Copacabana Palace. Isabella tentava fugir dos olhares penetrantes de Romualdo, mas era impossível. O Dr. Jörn estava lá, mergulhado no cardápio decidindo o que iria comer, e o Romualdo, já babando, há muito escolhera Isabella como prato principal (o metáfora grosseira essa, meu Deus!).
Não se sabe ao certo que movimento em falso ocorreu naquela noite, mas o alemão percebeu o clima de amor que havia entre Romualdo e Bella e resolveu subir aos seus aposentos alegando um desconforto estomacal.
Enquanto o Prof. Dr. Jörn Grottenthaler Ulbig se retirava do salão, a orquestra do Copa executava:
Strangers in the night exchanging glances
Wond´ring in the night
What were the chances we´d be sharing love
Before the night was through.
Mas logo que o alemão botou os pés para fora do salão, Romualdo tascou um beijo de cinema na Isabella e a orquestra do Copacabana Palace, feliz da vida, deu um tempo no Sinatra e lascou:
Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil
Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil
Berço do samba e das lindas canções
Que vivem n´alma da gente
És o altar dos nossos corações
Que cantam alegremente!
E foi assim que o carnaval 2006 do Rio começou em novembro de 2005, afinal de contas: o Romualdo era Portela, a Isabella era Salgueiro e eles, nessa vida, tinham sido feitos um para o outro.
Idade perdida
Fabiana Maia
Gostava de vê- las chorando. O esperneio e a dor passageira das crianças de sua infância a deixava alegre. Os seios fartos de uma criança grande que mal sabiam lidar com os hormônios da idade, invadiam as bocas tortas das crianças de sua infância. Ela as torcia contra o seu peito direcionando-as aos seus lugares de menina.
Leite não tinha e idade só 11, mas cabia-lhe a vontade desesperadora de senti-las mamar. As pequenas rejeitavam a insana mãe que não reconheciam.
- Não quero mais brincar de casinha, você só quer ser a mãe.
Mudaram as brincadeiras e com ela os desejos. Num outro momento não tentava amamentar, batia. Batia com tapas leves,rápidos e desconfiados. A qualquer momento alguém poderia ouvir, e não pretendia dividir os gritos abafados dos bebês que as pertenciam naquele instante de satisfação. Ela escondia o choro das crianças com suas mãos raquíticas, detendo para si a angústia e o sofrimento que lhe sorria o rosto.
Dormia o sono das crianças crescidas. Suas madrugadas eram tristes e chorosas. Não entendia por que a noite chorava sempre para ela. Brincava muito, mas à noite seus brinquedos a incomodavam. Queria livrar-se dos olhos das bonecas que ao longo do dia a acompanhava na sua rotina, mas à noite a acusava de um crime que não conhecia.Os olhos, sempre os olhos! Pareciam que se mexiam. Todas as noites ela retirava de seu quarto tudo que pudesse olhá- la de maneira inquiridora.
Ela sofria. A noite passava e o sofrimento não. Agora eram os lençóis que a incomodava. Como poderia dormir com tantas dobras no lençol?
Tudo impedia seu sono. O lençol que ela ajeitava, sua irmã a se revirar no beliche de cima fazendo barulhos, as brigas de sua mãe com seu padrasto, a cachaça de sábado que vinha lhe tocar os seios, e desejar as curvas da infância. Tudo impedia seu sono.
- Você se assusta muito fácil quando está dormindo, alguém já mexeu com você?
- Não, eu tenho sono leve.
Roubaram-lhe a idade nas esquinas prostituídas do lar.
Seus seios lesados, ainda em desenvolvimento, morreram nos bares de sábado, nas mãos do conhecido.
Morreram...
A criança cresce e agora não só os olhares das bonecas que a perseguem. Nas horas vagas adora chorar, chorar em seu dicionário particular tornou-se sinônimo de alívio e satisfação. Acostumou a choras às escondidas, sempre rejeitada por ser quem é , por sua forma física. Disseram-lhe que ela não era, e não ser virou angústia. Ela queria ser. Para onde foram as bonecas que a perseguia? Já é mulher e sua alegria é chorar.
ENQUANTO ISSO...
Murilo Alves
Enquanto eu subo para o ônibus lotado e deposito o valor injusto da tarifa nas mãos suadas do cobrador, o mundo e o tempo não param ambos são inquietos, atônitos, incessantes como o universo localizado no interior de cada um de nós, que buscamos o absoluto.
Enquanto isso, as pessoas se amontoam no corredor estreito do coletivo, cada uma delas carregando consigo suas misérias e conquistas, júbilos e decepções em um contraste interminável.
Enquanto aqueles que estão cheirosos, recém saídos do banho com o intuito de chegarem limpinhos nos escritórios com ar-condicionado ou nas faculdades da Avenida Paralela, observo o senhor humilde de trajes simples e face suada, cansada, exaurida, utilizando de sua escassa força para segurar uma caixa com peixes frescos na feira de São Joaquim.
Confesso que penso, durante algum tempo, na família daquele modesto homem: será que a esposa dele, seus filhos e netos (se é que existem) trabalham ou estão desempregados? Será que todos eles dependem da venda dos peixes?
Enquanto isso, o Estação Mussurunga avança e o motorista insensível não pára o ônibus para aquela mulher grávida com uma criança no colo, provocando, assim, um princípio de revolta nos demais usuários do transporte. Em verdade, ele ¿ o motorista ¿ após uma rápida reflexão não me parece um cara maldoso, não, não é bem isso, maldade e insensibilidade nada mais são do que características impostas pelo sistema do qual ele e todos nós estamos inseridos.
Enquanto as mães ignorantes ameaçam e espancam suas crianças que, por sua vez, choram de forma desesperada e interrompem o sono dos cansados e dos preguiçosos, reparo no casal extasiado que acabara de sair daquele hotel barato de aparência suja da Avenida San Martín, onde, provavelmente, as baratas fazem morada nas camas, justificando o valor da pernoite estampado na placa: quinze reais. O curioso é que eles estão felizes porque gozaram (penso eu), mas eles não percebem que estão sendo gozados todos os dias pelos altos impostos cobrados pelo Governo, e o ônibus avança.
Enquanto isso me debruço sobre a janela e vejo os malabaristas do sinal vermelho da Avenida Luís Eduardo, aqueles mesmos que se humilham diariamente por algumas moedas, sob o sol escaldante de Salvador, eis um paradoxo: as pessoas do ônibus vêem os meninos marginalizados através dos vidros, mas, ao mesmo tempo, não os enxergam, nada fazem para que eles possam ter uma oportunidade na vida e eles permanecem invisíveis, eu também pouco faço, porque todos nós neste mundo temos algo de hipócrita.
Enquanto os outdoors espalhados pela cidade vendem a idéia de que tudo por aqui é carnaval, reflito sobre a crítica do professor Zeca feita num dia desses na faculdade, quando o mesmo utilizou o termo: ¿carnaval privatizado para as elites¿.
Enquanto isso, os coronéis imortais ¿ tais quais Matusalém ¿ conspiram pela manutenção do povo para terem os seus podres poderes assegurados por mais um século, um milênio talvez, sendo que as minhas idéias para mudar o mundo permanecem ocultas e para os outros eu não passo de um jovem pessimista, idealista, petista, entre outros palavrões.
E enquanto isso...