Descobrindo novos cronistas...
sobre o blog
Acredito que todos nós um dia na vida já escrevemos um texto que gostaríamos de compartilhar com outras pessoas, mas cadê espaço?

Foi pensando assim que criei o Vamos Cronicar que tem uma meta muito simples: colocar na internet crônicas e contos de escritores envergonhados, anônimos, de primeira viagem e até mesmo daqueles que já sabem bem o ofício...

Para tanto gostaria de pedir a vocês que mandem suas crônicas, contos, poesias que estão aí, guardadinhas na sua mente ou esquecidas numa gaveta, para cá.

Participe e obrigada por visitar esse espaço!
Volte sempre!

Maria Carolina,criadora do blog
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Quinta-feira, Dezembro 22
Minha Visão
Murilo Alves

Já há algum tempo, do qual não consigo datar precisamente quando, meditava em frente do mar embalado pela melodia harmoniosa do quebrar das ondas e por hinos em tons dissonantes dos pássaros travessos, quando no ápice de minha concentração me surgiu uma visão.

Eu estava passeando por um vilarejo distante de uma pátria desconhecida, exatamente num dia festivo-religioso para os habitantes daquele lugar e as pessoas haviam decorado às ruas com bandeirinhas coloridas e as janelas das casas com fitas de cores variadas, tal qual um arco-íris, sendo que os seres daquele povoado preenchiam as vielas estreitas distribuindo sorrisos largos à espera do momento da procissão.

Recordo ainda que, em minha visão, eu observava detidamente o comportamento dos transeuntes, caminhando na direção de um lugar que ainda vou encontrar, refletindo acerca dos mistérios dos mundos material e espiritual, quando me aproximei de uma praça isolada do centro da cidadezinha, onde um velho de barbas compridas e cabelo grisalho sentado sozinho num banco da praça chamou-me a atenção.

Um menino que vendia doces e que se dirigia rumo à festividade , percebeu minha curiosidade e disparou: - Não te aproximes dele senhor, é um velho louco, coitado! Não diz coisa com coisa.

Sem saber, o menino despertou em mim uma inquietude ainda maior, pois sempre acreditei que os segredos das almas vão além de meras aparências exteriores e de nossas vagas suposições.

Então, aproximei-me dele sentando ao seu lado no banco da praça fitando-o de tempo em tempo. Suas vestes eram gastas e simplórias assim como as suas sandálias, todavia, os traços daquele rosto eram enigmáticos e do seu olhar emanava uma grandeza inexprimível em palavras, me deixando instigado. Como ele estivesse distraído ao manusear o seu cajado apoiado por suas mãos, aproveitei para perguntar-lhe: - Talvez o senhor esteja em necessidade, posso ajudar-lhe de alguma forma? Longo silêncio, nenhuma resposta e um breve sorriso: eis o que recebi como réplica daquele ser mais estranho que a vida e mais profundo que a morte. Não satisfeito, busquei nova aproximação: - Sou um estrangeiro nesta cidade e estou aqui com o intuito de prestigiar a procissão. Quem é o senhor? Novo silêncio e a impressão que tive foi a de que, dessa vez, perdurara por dois séculos, fazendo com que eu me calasse e me contentasse com os ecos oriundos do festejo.

De repente, fui surpreendido por uma voz grave e embargada que rompera com aquela quietude incômoda: - Eu sou uma roda que gira para a direita entre rodas que giram para a esquerda, sou a revolução que desmistifica o que os séculos estabeleceram e o que os mentirosos edificaram e nenhuma coisa ocorre neste mundo sem o meu consentimento.

Confesso que agora eu ficara espantado, até porque a face do suposto ¿velho louco¿ iluminava-se a cada frase proferida, sendo que cada palavra sua evocava a fúria de mil tempestades e a erupção de mil vulcões adormecidos. ¿ O senhor certamente é um homem muito sábio. Afirmei, com a intenção de alimentar a conversação, ao que ele respondeu: - Não sou um sábio. A sabedoria é a armadilha que aprisiona os sábios. Eu sou o senhor dos destinos e o mentor dos poetas, dos músicos e dos exilados!

- E quais são as tuas aspirações para os outros e o que quereis revelar para este teu ouvinte? Tornei a perguntar-lhe.

- Os outros não me compreendem e me chamam de louco porque as leis superiores não permitem que eles venham ao meu encontro e nem que eu possa ir até o encontro deles, pois os seus ouvidos só escutam os sussurros das festividades vazias e as suas bocas só pronunciam as banalidades vãs. Quanto a ti, és um dos loucos enviados para confundir os sábios, assim como está nas escrituras e ainda não sabeis da importância de tua missão neste mundo.

- Mas me diga então, senhor dos destinos, qual é a minha missão nesta dimensão? Tornei a perguntar-lhe.

- Parta! Respondeu friamente o velho. ¿ E sempre que encontrares os sábios e os falsos, desmistifique-os e derrube-os!

O velho disse essa última frase e desapareceu do banco da praça, enquanto numa fração de segundo eu piscava os olhos e refletia sobre algumas de suas palavras.

Minha visão havia desaparecido e, eu, de pé, aproveitara para tomar um banho de mar nas águas cristalinas da praia de Boa Viagem.

Desde então, eu tenho desmistificado e derrubado todos os sábios e todos os falsos que encontro. Mas os sábios, assim como os falsos, são muitos e eu sou sozinho, e ninguém me ajuda...
Terça-feira, Dezembro 20
Oi gente!
Pedindo desculpas aos meus queridos cronicantes, estamos de volta ao nosso cantinho.
Vai entender,mas o pessoal do blogger havia retirado todos os meus blogs do ar... ai.
Mas eu sou dura de roer... ;-)
Assim, estamos de volta a programação normal. Aguardo seus textos!
Beijo grande,
Carol