NÁUFRAGO
Murilo Alves
No porto do meu coração
Reside tal qual um esplendor
Reside o imponente navio
Viajo e morro de amor
No porto do meu coração
Onde azul quão sublime não há
Só nos lemes, dentr'embarcações, voraz incolor
Viajo e morro de amor
No porto do meu coração
Certa feita ancorou um navio
Submergido, agora, nas águas límpidas
de lembranças mil
Permanece uma musa esperando
Mescla e clama esperança com dor
Revolta-se contra o destino
Viajo e morro de amor
Lá; bem no porto do meu coração
Reproduz-se a imagem da fada
Chora triste, ora calada
Onde, além de em meu porto, estará minha amada?
Já não contemplo nem flores, nem cânticos
Arco-íris? Sete traços sem cor...
Sou suicida, sou flagelo,
Viajo e morro de amor
No porto do meu coração
Embarcam formosas donzelas
Amortecem desejos
Mas náufrago sou com elas
Desconhecem o meu sentimento
Me iludo, somando ao pavor
Bem no fundo, eu afundo,
Viajo e morro de amor.
Sobre o autor: Murilo Alves, 19 anos, estudante de Jornalismo em Salvador-Ba.
