Descobrindo novos cronistas...
sobre o blog
Acredito que todos nós um dia na vida já escrevemos um texto que gostaríamos de compartilhar com outras pessoas, mas cadê espaço?

Foi pensando assim que criei o Vamos Cronicar que tem uma meta muito simples: colocar na internet crônicas e contos de escritores envergonhados, anônimos, de primeira viagem e até mesmo daqueles que já sabem bem o ofício...

Para tanto gostaria de pedir a vocês que mandem suas crônicas, contos, poesias que estão aí, guardadinhas na sua mente ou esquecidas numa gaveta, para cá.

Participe e obrigada por visitar esse espaço!
Volte sempre!

Maria Carolina,criadora do blog
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Terça-feira, Novembro 16
Tributo
Samuel Medina

Um projeto soberbo e ambicioso
surgiu sorrateiro em meu interior
Instalou-se qual semente, latente ardor
Deixou-me logo perplexo, esse projeto embaraçoso

Um poema em forma de oferenda
essa foi por fim a face revelada
do tal projeto insano, sim, a angústia e mais nada
Minando-me as defesas, como a água em uma fenda

A música que há em teu rosto, como sentí-la?
Como fitá-la se nem te conheço?
Pois captar um só movimento teu não tem preço
E deixar de ter ver, só isso já me aniquila

A única forma de lidar com tal enigma
é criar uma poesia que, ao menos,
busque, ainda que sem sucesso, ser digna
de tua atenção, de teus olhares mais pequenos

Quem me dera assim captar do sol um raio brilhante
e assim forjar uma linda coroa dourada!
Transformaria cada gota de orvalho em puro diamante
encrustando-os nessa jóia, a coroa de uma fada.

E dá-la de presente eterno
Para que tu possas enfeitar teus cabelos
Talvez então assim atenderias aos meus apelos
E te importarias ao ver os meus acenos

Essa paixão proibida, imerecida, descabida, desmedida
essa fissura incoerente, que não se sente,
projeção da imagem da sombra ausente
que no entanto inunda minha vida


Eu nem percebi que fui roubado
Roubado do direito de te olhar
Perdi tua miragem na vastidão do mar
E meus olhos estão desbotados de tanto enfado

E como posso tentar violar
esse tão perfeito jardim cercado
invadindo-o com meu olhar
se não sou o teu amado?

Pois tu és toda poema
e tua respiração, pura poesia
Tua beleza é tão sublime, tão suprema
que nem para admirá-la eu apto estaria

Beleza que me cerca, me sufoca, me esmaga
cada parte de meu ser esse fôlego espera
Só passares as mãos nos cabelos me lembra a Primavera
Já dominado estou por essa irresistível Praga

O que farei? Teu rosto em todas as damas tu revelas
Teu nome, em todas as relações
Teus olhos, em todas as estrelas
Tua voz, em todas as canções

Sobre o autor: Samuel Medina do Nascimento é estudante de Letras na UFMG. Mora em Belo Horizonte e tem 23 anos. Bem vindo!