Baile dos Ardentes
Graça Carpes
Pensei em amá-lo, mas a lua afogava-se ao mar e um rastro de sangue riscava o
céu.
(Entre ela e o sol, estamos sós).
Tentei chamá-lo, mas minha mão sombria estancou o tempo e o líquido
transparente e verde feito um caleidoscópio atirou-me para o túnel ensolarado
de teus olhos.
(Também, não era propício o momento).
Busquei saída quando infinitas cores apontavam seus tentáculos para o centro
de meu palco e a sinfonia dos dias ecoava em paredes de vidro.
Submersa em pulsante aquário de
plasma
percebi flutuantes
tua
alma
entrelaçada à
minha.
(Preciso encontra-lo em mar aberto).
Labaredas de sol queimarão o dia, ali onde sobre a terra desceram as cinzas da
noite.
Sobre a autora: E a Gracinha está de volta! EBA!
