Indústria de Super Heróis
Ana Flávia
"Quando a gente é pequeno, muitas vezes queremos ser super-heróis. Tudo se resolveria a partir da mágica do diferencial responsável por nos tornar SUPER. Sabe que em grande medida é isso que procuramos durante toda vida???
Pretendemos passar pela Terra lidando com as cobranças do dia-a-dia sem pestanejar. relacionamentos perfeitos, carreira inabalável, saúde e conduta exemplar. Um sorriso eterno nos lábios. Inabalável. E também tem os livros de auto-ajuda, no melhor estilo. "Seja super-herói você mesmo em 10 lições". O mundo parece cobrar que sejamos todos perfeitos e o tempo todo.
Sei lá... eu pelo menos não consigo ser assim. Tô muito longe de ser mulher maravilha. Tenho meus dias carrancuda em que não quero ver ninguém. Sinto-me minúscula frente a vários desafios que a vida me apresenta, morro de medo embora me perceba corajosa. Não sou de acertar de primeira sempre. E querem saber? Ser HUMANA é bom demais. Uma delícia mesmo! ;-)"
Sobre a autora: a Aninha é a idealizadora do blog Verborragias e acionista do Vamos Cronicar!
Viva a Vida
Christina Cabral
Meu neto de seis anos faz suas lições de casa na escrivaninha do avô, em frente à minha.
Volta e meia levanto os olhos do meu trabalho e o namoro; analiso a sua figura. Pele clara, cabelos escuros, lisos, caídos sobre os olhos. Morde a ponta da língua, presa no canto da boca polpuda. Segura firme o lápis ¿ é canhoto ¿ funga e resfolega sobre o caderno.
Num momento ele para e me olha desanimado:
- É difícil demais fazer o ¿D¿ maiúsculo! Tem uma voltinha pequenininha aqui em baixo e uma voltona barriguda na frente. Não sei por que inventaram uma letra tão chata!
Respondo, compreensiva:
- Os homens inventam, mesmo, coisas difíceis para serem feitas...
Ele me interrompe:
- Porque eles inventam para os ¿homens¿, não é´, vovó? Para as crianças deveriam inventar quadrados: ¿A¿ quadrado, ¿B¿ quadrado, ¿C¿ quadrado...
- Você quer que eu o ajude a fazer o ¿D¿ maiúsculo?
- Não! A tia disse que nem mãe , nem avó,podem ajudar ¿ suspira desanimado ¿ tenho que lutar sozinho...
- Bem, mas eu posso segurar a sua mão...
- E depois eu reparto a nota com você, é?
O seu pensamento, de fato, me pareceu lógico. E venhamos que ele tirasse um oito? Que vexame para nós dois...
- Está bem, então vamos treinar a fazer o ¿D¿ maiúsculo em uma outra folha de papel, depois você o fará sozinho.
Ele fica desesperado:
- Você acha que é fácil, e? Vai demorar um mundão! E eu perco o programa da Xuxa! E os meus dedos vão ficar doendo mais ainda!
Eu o consolo:
- Também eu, quando comecei a aprender a escrever, achava horrível fazer o ¿D¿ maiúsculo; hoje, veja, escrevo tão rápido!
Ele levanta os olhos e me analisa:
- Vai demorar muito para eu ficar velho como você...
Ai, a franqueza das crianças! Tento aliviar a situação:
- Quando você ficar velho com eu, há de ter um netinho lindo como você e ensiná-lo a fazer o ¿D¿ maiúsculo.
Ele larga o lápis sobre o caderno, franze as sobrancelhas, deixa cair os cantos da boca e sacode o dedinho na frente do meu nariz
- Não senhora! Nada disso! Ele que vá chatear outro! Eu não estou aprendendo sozinho? Preguiçoso! Essa é boa!
Criança. às vezes, é caso de polícia.
Fico impaciente:
- Pois faça sozinho o seu ¿D¿ e não me aborreça!
Ele prende novamente o lápis, morde a língua e com a mão esquerda, volta a lutar. Em vão; mais apaga do que escreve. Levanta-se, caminha até a janela e namora o quintal. Tanto verde! Tanto sol! Eu o sinto como um passarinho engaiolado, preso a um miserável ¿D¿ maiúsculo.
Suspira e me fita angustiado:
- Às vezes tenho vontade de morrer! Por que inventaram a escola? Olha lá ¿ aponta o cachorro refestelado na varanda ¿ o Vidabá não sabe ler... e veja só que vidão!
Sua angústia é tamanha que eu tenho vontade de fazer uma revolução, com cartazes e tudo: Abaixo a escola! Abaixo as tias! Abaixo o ¿D¿ maiúsculo! Abaixo tudo o que nos tolhe a liberdade; viva a vida!
Sobre a autora: A
Christina é a mais nova colaboradora aqui do nosso cantinho. Bem vinda!
Mal Maior
Márcio Brigo
(Para ler ouvindo: Rolling Stones "Sympathy For The Devil")
São duas e quinze da madrugada, através do portão ele observa a residência, já são mais de dois meses que a observação acontece, ele vê as pessoas que entram e saem da casa, segundo seus olhares apenas um casal habita a casa, um homem loiro alto e magro e uma mulher igualmente alta e loira.
Uma casa ampla com dois carros na garagem, uma piscina grande, o jardim mais parece uma floresta. Tudo isso com certeza é garantia de muitos objetos caros no interior da casa.
Hoje é o dia, o bandido não vai mais esperar, suas providências já foram tomadas, com a arma em punho ele vai pular o muro da casa, entrar pela porta da frente, vai amarrar o casal, encher o carro com tudo que achar interessante e ir embora.
Como havia previsto ele pula o muro com facilidade, são apenas alguns passos até a porta, ele abre a porta com a chave reserva que o dono da casa sempre deixa embaixo do capacho, como havia previsto. "Que cheiro e esse?" Na sua vida bandida ele nunca havia sentido cheiro de enxofre antes. Caminhando rápido pela casa se preocupando mais em ser rápido do que silencioso, ele percebe luz na cozinha, como havia previsto. Parece que os dois estão ajoelhados ao redor de um círculo, tem algo fazendo fumaça, existem velas amarelas, mas o bandido não quer saber, dá uma coronhada na nuca do homem que cai desmaiado sem saber como foi atingido. A mulher começa a oferecer resistência, como havia previsto. Só começa, ela leva um soco no estômago e é jogada no chão. Ele coloca a arma no chão, tira uma fita adesiva do bolso e enrola as mãos e os pés da mulher, mas antes de colocar a fita adesiva na boca dela ele houve:
- Meu pai vai te pegar!
Isso ele não havia previsto.
"Pai? Não tem mais ninguém aqui." Ele se certificou, até olhava as janelas, via o dia a dia do casal, conhecia esse lugar como se fosse a sua própria casa. Pensando assim ele terminava de amordaçar o homem que ainda estava desacordado, mas em muitos anos de vida bandida nada o tinha preparado para o que ele estava vendo.
Esse homem é um bandido, bandido é a forma como ele gosta de ser chamado. Bandido porque ele gosta da ação, tudo que pagar bem e for perigoso ele está dentro, seqüestro relâmpago, assalto a banco, tráfico de drogas e até mesmo assassinato, o mais destemido entre os mais destemidos. Não hoje.
Existe uma porta que fora da casa ele nunca tinha identificado para onde ela dava acesso, essa porta fica na cozinha, ou melhor, ficava, pois aparentemente era um acesso ao porão da casa, era porque com um golpe só um homem fez a porta se quebrar em várias partes Esse homem não parece ser um homem qualquer, loiro como o casal, mais de dois metros de altura, aparentemente muito forte o cabelo cumprido na altura da cintura, nu e com o corpo todo coberto por tatuagens de dragões e demônios.
O bandido fica tão impressionado com o tamanho do homem que não se move, o homem nu pega a arma do bandido no chão e lhe bate na cara, então o bandido não vê mais nada.
Agora o bandido está vendo um símbolo que parece o que estava no chão da cozinha, mas o símbolo não esta no chão e sim no teto, o bandido está amarrado no chão, com várias velas amarelas em volta dele, como às que estava no chão da cozinha, a cabeça está girando e ele sente uma enorme dor de cabeça. Não é só a cabeça que está doendo, o peito também, ele olha para o peito e vê uma adaga está fincada em seu peito até o cabo. Neste momento ele toma consciência da dor e tenta gritar, mas o simples movimento do peito faz a dor muito maior.
O casal está em pé próximo a ele com roupas brancas, seus rostos não tem expressão.
A ultima coisa que ele vê é o homem tatuado com um machado em direção ao seu pescoço.
Depois disto ele não sentiu mais nada.
"O Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela" Jô 1-7
Sobre o autor :
Márcio Brigo é estudante de comunicação social, criador do blog Ilusório e Misterioso.
Lobo e o Falcão
Lucia Helena Cavichioli
Nas asas do vento...
um falcão!
Nas florestas...
pegadas!
Um lobo negro.
É dia
o sol...
a fêmea de asas!
Ocaso.
O sol...
deitou e dormiu!
A lua
os olhos abriu
e da boa saiu
a saliva...
Da noite!
O lobo
é homem.
O falcão
é mulher!
Caminham na noite
metamorfose!
Falcão...
com pés femininos!
Quatro patas
masculinas!
Um dia,
o feitiço!
Cobriu-os de ódio!
E a maldição
caiu
sobre os corpos!
A linda falena
na noite é mulher
no dia é falcão!
Garboso soldado
no dia é homem
na noite é lobo!
Eterno suplício!
Muito tempo
se passou
até que ...
aconteceu!
Houve um dia sem noite
Uma noite sem dia...
Lua e sol
fundiram-se então.
A transformação!
Em solo sagrado
olhares magoados
seus olhos
se viram!
Na magia do amor
o encontro eterno!
As duas metades
em dupla energia
Um homem não lobo
agora desnudo
Uma mulher
sem penas
nem garras
Feitiço desfeito
Amor concedido!
Sobre a autora:
Lúcia, que é uma das escritoras sempre presentes por aqui, escreveu esta poesia inspirada no filme: "O Feitiço de Áquila". Você assistiu?
Oi gente!
Venho aqui em prol de uma grande amiga, a Érica do blog
oooooooops! pedir que vocês entrem no banner abaixo e adotem um dos 6 cachorrinhos que ela encontrou numa praça e que estão precisando de um novo lar. Colaborem!