Descobrindo novos cronistas...
sobre o blog
Acredito que todos nós um dia na vida já escrevemos um texto que gostaríamos de compartilhar com outras pessoas, mas cadê espaço?

Foi pensando assim que criei o Vamos Cronicar que tem uma meta muito simples: colocar na internet crônicas e contos de escritores envergonhados, anônimos, de primeira viagem e até mesmo daqueles que já sabem bem o ofício...

Para tanto gostaria de pedir a vocês que mandem suas crônicas, contos, poesias que estão aí, guardadinhas na sua mente ou esquecidas numa gaveta, para cá.

Participe e obrigada por visitar esse espaço!
Volte sempre!

Maria Carolina,criadora do blog
crônicas arquivadas
particpe você também
Um oferecimento
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Segunda-feira, Outubro 27
Desilusão
Lígia Ferreira

Ontem assisti ao filme Cidade de Deus. Gosto dessa nova fase do cinema brasileiro, essa que não teme em mostrar nossa realidade iníqua. Acredito que nosso cinema sempre foi de surpreender. O filme choca, começando até com uma certa inocência mas mudando rapidamente para um quadro amedrontador.
Minha mãe o passou para suas alunas do magistério e fiquei de queixo caído quando ela me contou que algumas saíram da sala e simplesmente se recusaram a assistir algo de tamanho "mau gosto". Que patético! Então vivem na linda
Blumenau, onde os problemas são camuflados para alegrar seus habitantes moribundos e não suportam ver alguma coisa que rompe essa falsa perfeição? Por favor!
A cena que mais me chocou foi a de um menino de sete ou oito anos de idade que é capturado pelos traficantes adversários e acaba levando um tiro no pé. Me impressionou a interpretação do ator na hora do choro, do sofrimento. E putz, ele não é real, mas quantas crianças não tiveram seus sonhos trucidados e a possibilidade de uma vida completamente interrompida? E não
são só crianças, são milhões de pessoas que sofrem, que morrem, que choram.
Me sinto culpada às vezes por ter tanto e ainda me pôr a reclamar do marasmo da vida. E eu sou pura teoria e nenhuma ação. Infelizmente meus pensamentos e minha revolta não têm o poder de mudar nada disso. Eu, sozinha, não acabo com as dores do mundo. E o que me resta fazer? Perder o sono como fiz esta noite? Chorar baixinho, sufocando o grito de indignação no travesseiro? Continuar escrevendo num blog para tentar saciar essa vontade de gritar para o mundo inteiro que isso não é justo?! Mas nada acalma tais aflições! Nada muda!
Alguma sugestão? Acabei me desviando do assunto inicial, mas isso não importa agora.
Perdoem-me a revolta, ela é inevitável.

Sobre a autora: O desabafo aí de cima foi feito pela Lígia que é escritora e idealizadora do blog Li Ferreira
Sexta-feira, Outubro 24
Futuro
Maurício Hansen

20:00h, São Paulo, um cidadão assiste a um canal da TV aberta. Num futuro improvável? Quem sabe?

"É lógico que todos são livres! Mas é preciso entender a situação do Globo como um todo. As multinacionais que administram os vários estados visam lucro em seus empreendimentos e obviamente tem suas prioridades bem definidas. Nós damos a vocês o direito de expressão, seja nos horários especiais dos canais educativos fechados, seja nas revistas de distribuição carcerária. E o mais importante é que todos estão tranquilos com relação a alimentação, saúde e entretenimento, os pilares da nossa sociedade. O Mundo deve muito às multinacionais! Sem a intervenção delas durante a grande guerra muitas civilizações não existiriam hoje. Todas as doenças consideradas incuráveis no século passado já tem uma cura expostas nas megadrugstore espalhadas pelos continentes. A fome foi erradicada pelas maiores redes de fast food que nas últimas decadas absorveram as médias e pequenas redes. Do que se pode reclamar? O constante rodízio de água é necessário, a produção de soft drinks não pode parar, a demanda do mercado deve ser atendida. E você sabe, o banho com lenços umidecidos é muito mais higiênico. Ah! Lembre-se de evitar os bolsões de calor nesse verão, o sol mata."

Sobre o autor: O Maurício é o idealizador do Blog do Careca
Terça-feira, Outubro 21
Açúcar amargo
Marcela Cálamo Vaz Silva

Assisti num domingo, pela primeira vez, um comercial de uma certa marca de açúcar. O comercial apresentava o produto através de uma estorinha, cujo título era "A torta que ninguém queria". A princípio, pelo título, achei se tratar de algum doce rejeitado por todos por ter sido feito com outro açúcar, mas qual foi minha surpresa quando vi que não era bem ao doce que estavam se referindo. À medida que o comercial ia passando, eu ia ficando mais que indignada com o preconceito contido em sua mensagem.
O comercial começa com um narrador apresentando uma garota que diz algo assim: "Gostar de quem é bonito é fácil, bom mesmo é ser amada sendo feia. Por isso resolvi ficar torta." Aí o narrador diz que ela, então, começou a mancar. A tal moça é dona de uma doceria e o narrador vai contando que todos que por lá passam interessam-se somente pelas tortas doces, mas não ligam para a moça torta. Até que um dia, um rapaz começa a freqüentar a doceria e, depois de comer seus doces, fica "cego" de amor e, "por ter ficado cego" (palavras do narrador), não vê defeitos na moça. O casal, então, fica feliz e a moça deixa de mancar.
Fiquei totalmente besta! Como é que esse tipo de comercial, com uma mensagem preconceituosa e altamente discriminatória explícita, pode ir ao ar????
Como é que enquanto o mundo se preocupa em lutar contra preconceitos e discriminação, um comercial que frisa justamente isso ("e por estar cego, não viu seu defeito") pode ser veiculado, em um domingo à tarde, na emissora de maior audiência do país?
Muitos podem não ver nada de mais no tal comercial, enxergar apenas uma estorinha boba, em que a expressão "cego de amor" é usada inocentemente, mas para aqueles que conhecem o preconceito mais de perto, o comercial é muito ofensivo, a começar pelo título. Eu me senti ofendida e muito!
A mensagem expressa na estorinha é muito clara: "Se você é "feia", se tem um "defeito físico", não tenha esperança de ser amada, a não ser que use nosso açúcar e deixe alguém "cego de paixão", aí, então, não vendo seus "defeitos", ele te amará e você poderá ser feliz."
Raramente assisto a canais da TV aberta. Pude ver por esse exemplo que precisamos cuidar mais do que estão exibindo na mídia. A luta pela igualdade é uma constante àqueles que sofrem preconceito e discriminação. Esse tipo de comercial, com esse tipo de mensagem pode ocasionar um retrocesso nesse processo já tão difícil. É inadmissível que esse tipo de coisa continue a acontecer. É preciso que haja mais cuidado por parte de quem idealiza, aprova e também veicula um comercial para que este não ofenda àqueles que, por ventura, assistam-no.

Sobre a autora: A Marcela tem 36 anos, é professora, mãe do Ricardinho, idealizadora do blog Maré, e colaboradora do site Saci.
Mais gente nova no pedaço:

Agressive Girl
Athoz
Beija Flor na Janela
Taciano
Terravista

Visitem, fazfavor...
Domingo, Outubro 19
Oi Gente!

Recados importantes:

1) O Vamos Cronicar não existe sem a colaboração de vocês... assim sendo, não deixem de mandar seus textos pra cá, dar sua opinião, comentar, enfim, participar. Estou esperando os novos escritores aparecerem por aqui, tá bom?

2) Aos poucos estou retribuindo a gentileza de todos aqueles que me linkaram em seus blogs. Se vocês olharem no menu ao lado vão perceber que tem gente nova no pedaço. Confiram os novos vizinhos:
Alma em Punho
Blog do Careca
Casos por acaso
Eletroliterária
Devagar, todos serão lembrados. Aguardem!
Minha letra
Fabíola Salles

Vi e descobri o amor por teus olhos, senti o teu calor pela primeira vez pelo som de sua voz.
É quente me satisfaz, murmura loucuras coisas boas de se ouvir, sabe me amar, sabe sonhar, então não vai, não se desfaz,me espera a madrugada, me põe no colo dá-me seus braços, deixa-me calçar seus sapatos
Acho-me, me escondo, me procuro e te encontro;
Me entendo,me amo, tudo !
Um imenso céu vê o ardor de uma paixão, não espero ter solidão, não espero madrugadas frias e não falta de poesia.
Nas rosas que você me traz, nos encontros às escondidas nas escadas, no escuro, eu sempre em cima do muro, não por você, sei por mim, mas não quero falar de ironias do destino e sim do que é hoje pra mim.
Faz me assim: menina, horas uma adolescente, horas uma fera louca a ser dominada pelo seu amor.
Faz -me assim sem perceber já sou sua.
Vi nos seus olhos uma explosão de sentimentos, loucura de momento, e hoje as vejo assim, então sei não passa .
Rio quando me deixa sem graça,graças de seu amar, graças de me beijar, graças de horas assim estar, do meu ficar, que passa por minutos,horas,dias...
Sem graça, vermelha, vermelho sempre foi sua cor, por que é intensa, não dá para não ficar sem graça se você assim não estiver aqui ao meu lado aqui no nosso barraco, aqui nos meus braços , entre minhas pernas.
Graça não tem se você não acorda ao meu lado , se não tenho com quem confessar-me, se não tenho a quem escrever e, por que escrever ?
Quero dar-lhe meus dedos,minha mão,minha escrita e meu prazer eu devo por você estar aqui assim do meu lado.

Sobre a autora: A Fabíola Salles é lá de Vila Velha e sempre está aqui no Vamos Cronicar.
Quinta-feira, Outubro 16
Revirado
Fabíola Salles

Queria passar por pontes que não me levassem ao desespero; queria um minuto de solidão.
Anseio por você, mas me sinto horas tão levada por sentimentos que trazem o dia a dia, cansaço físico, vontades que vão ao mais belo por do sol a uma xícara de chá, ou simplesmente vontade de nada, vontade de dias quentes em uma rede com você, vendo as ondas do mar e todo seu matizado que ele nos oferece a vê-lo, vai do azul turquesa a um quase marrom esverdeado, sentir seu perfume por toda a casa quando você sai do banho, ainda com os cabelos molhados é disso que falo quando fico assim tão sozinha. Não quero solidão nem quero correr o mundo em desatinos desesperados, só quero minutos de paz com você, sem conversa de vizinhos sem choro de menino, sem zunido, sem bagunça, te mostrar um pouco de mim sem medo de você ir, mas me prendo em tantas coisas de dia a dia...
Lembro do condomínio, do verdureiro, do cachorro que prometi, das bagunças da Gabi, de um ou outro erro que cometi, da briga com minha família, lembro de tanta porcaria que só o dia a dia traz.Então não dá mais: quero correr feito vento, sumir e não me ver; quero meus olhos vermelhos porque assim me conserto, me faço, me refaço de novo. Quero falar de você, na verdade, quero falar de mim mesma, mas é que no momento é difícil falar de mim sem lembrar de você. Você se tornou assim: pessoal e nada banal.
Um dia achei que era inconstância, acho que foi por que achei isso bonito: "ser inconstante'' mas imagino o tanto que deve ser difícil conviver com ela... não acho mais que é inconstância: acho que um dia até fui mesmo, no fundo é que eu queria ser eu, mas não sou inconstante não! É que vivo entrando pela contramão e até me admiro pelo fato de estar tão "na minha", mas, na verdade,
'' é que eu tô na dela".
Cotidiano, rotinas, suas caras que não entendo, que horas me trazem paz e alegria e que hora me condena, me mostra uma grande frieza no seu modo de ser.
E penso: "Onde cê colocou toda aquela mulher que tava aqui, cadê meu colo, meu peito e seus braços? Porque é só nele que me sinto assim: tão viva tão tranqüila..."
Difícil de entender se logo tenho vontade de não te olhar os olhos, não consigo imaginar-me um segundo sem tua presença.
Doce loucura que traz um amargo com leveza de sabor...
Um dia ainda entendo que o que sou e o que me revira e muda meu pensamento, traz de volta meu encantamento.

Sobre a autora: A Fabíola Salles é lá de Vila Velha e ainda não tem blog. Faz favor de criar um, viu moça?
Quarta-feira, Outubro 15
Oi Gente!
O Vamos Cronicar está concorrendo em três categorias no prêmio iBest 2004:
ibest Blog
Pessoal Variedades
Arte e Cultura
Cliquem nos links e votem! Conto com vocês!
Beijo grande e obrigada!
Carol, a dona do blog
Curvas
Maurício Hansen

Curvas, curvas
oferecidas, malditas
prenderam meu olhar
por muito tempo
e ficou meu corpo
ao relento, sob estrelas
sua boca devorando tudo
E eu? deixei-me devorar.

Sobre o autor: O Maurício é escritor e está de blog novo! anotem aí: Maria Farinha é o nome do novo cantinho dele. Visitem!
Segunda-feira, Outubro 13
Mãe/filha
Ligia Batista Ferreira

Estou deitada há tantos dias que a noção do tempo não mais faz parte de meu ser. O teto completamente branco, nu, se faz ótima companhia, servindo de cenário para as tantas alucinações nascidas do cansaço e da solidão.
Luíza. Ah... Luíza.....ela sempre chega nessas horas em que a vida se torna uma grande tempestade e sob o encanto dessa violência acaba levando tudo que tem pelo caminho. Minha filha, meu tesouro, guarda dentro de um corpo tão pequeno e infantil, o mundo inteiro. Sua pele é tão alva que ao observá-la de perto é possível ver as veias rochas e finíssimas escondidas atrás de tão delicada estrutura. O cabelo tem cheiro de prado e ondulações na medida certa para emoldurar um rosto imaculado. Às vezes, quando está distraída, sua franja desliza até cair sobre os olhos... e ao piscar, seus longos cílios a tocam movimentando alguns poucos fios, que no entanto são capazes de deixá-la ainda mais graciosa.
Deita a cabeça no meu travesseiro, encostando seu nariz no meu e...sorri. Mas seu rosto trai seus sentimentos, sei que esconde as lágrimas nos olhos. Não sei o que está pensando, afinal ela sabe tantas coisas. Não diz uma só palavra, seus dedos frios e macios percorrem meu rosto e fecham delicadamente meus olhos. Adormecemos as duas naquela cama desfeita e por algum motivo sinto seu corpo desvanecer ao mesmo tempo que o meu.
De repente a vida me parece menos cruel e a noite, menos sombria.

Sobre a autora: A Li é escritora e dona do blog Li Ferreira. Passem lá e confiram mais textos dessa moça!
Terça-feira, Outubro 7
Cena Noturna
Graça Carpes

Começaram a brigar tarde da noite.
Acordei com o rasante vôo da televisão a globalizar a queda, janela abaixo.
Depois, tímido atirou-se por trás da cortina a coleção de CDs da MPB ¿ talvez na tentativa de fuga, vi Chico Buarque cantar ¿Rita¿ ao cruzar vertiginosamente por minha janela, seguida por Joplin rouca e louca.

Pensei na complementação dos opostos

Ouvia a voz de um gritar com o outro em acusações quase obscenas.

Cenas de um cotidiano...

-FAMILIAR ¿ gritava o vizinho do décimo.

E não sei se em referência ao cotidiano ou ao prédio.

Passava das dez quando os corpos tombaram.
Primeiro um e logo o outro, como se a mão do primeiro carregasse o segundo.

Dois tuns!

Já passava das dez.
Silencio...
Apenas os olhos de um gritavam aos olhos do outro...
Vermelhos obscenos.

Sobre a autora: A Graça é escritora,dona do blog Pulsar Poético e uma das mais assíduas frequentadoras aqui do Vamos Cronicar. Volte sempre! Estava com saudades...
Quarta-feira, Outubro 1
Maverick
Marcio Brigo

(Para ler ouvindo: Black Night Deep Purple).

Brasil, São Paulo, Avenida radial Leste com a rua Tuiutí, quarta-feira duas e dezesseis da manhã. Um Maverick GT 1979, oito cilindros, vermelho com duas faixas pretas está parado no semáforo. Gabriela está no comando do Maverick, sua bota direita "bomba" o acelerador várias vezes, sua calça de couro está levemente molhada, seu braço direito com uma tatuagem "I love Lucy" está segurando o câmbio em primeira marcha. A sua bota esquerda pressiona até o fundo a embreagem, sua mão esquerda enterrada entre seus cabelos ruivos. Gabriela pensa: "Cadê você Deus?"
Gabriela está chorando. O semáforo abriu, Gabriela tira o pé esquerdo da embreagem suavemente e quando o Maverick está em movimento ela coloca segunda marcha, seu pé direito aperta o acelerador com tanta força que ela quase se esquece de tirá-lo para colocar a terceira marcha, a rotação do motor é tão alta e estridente que se o rádio estivesse ligado não seria possível ouvi-lo, novamente Gabriela acelera, o segundo estágio da carburação faz o carro chegar a oitenta quilômetros por hora já próximo ao metrô Penha onde ela reduz a marcha para segunda, primeira e pára. Novamente Gabriela pensa: "Cadê Você Deus?" Ela se pergunta onde estava Deus quando ela, mesmo contra toda sua família, comprou um Maverick GT 1979. O semáforo está verde. Gabriela se pergunta onde estava Deus quando o seu namorado reclamou que ela não dava mais atenção para ele, pois só pensava no Maverick. Primeira marcha. Gabriela se pergunta onde estava Deus quando ela se endividou toda para pagar o Maverick e teve que parar a faculdade. Segunda marcha. Gabriela se pergunta onde estava Deus quando seus pais precisaram dela, pois sua irmã estava doente e ela não tinha dinheiro, já que estava pagando a pintura do seu Maverick. Terceira marcha. Gabriela se pergunta onde estava Deus quando ela cada vez mais apaixonada por seu namorado o sentia cada vez mais distante. Quarta marcha, barulho ensurdecedor, o Maverick está a mais de cento e vinte quilômetros por hora. Ela se pergunta onde estava Deus quando seu namorado terminou o namoro. Quinta marcha, semáforos vermelhos não fazem diferença.
Gabriela chora e suas lágrimas escorrem por seu queixo e caem na sua calça de couro, ela começa a soluçar, ela esta próxima à estação Artur Alvim. O mundo é todo um grande borrão, parte por suas lágrimas e parte por ela estar a cento e vinte quilômetros por hora. Gabriela não tem parâmetros, não está preocupada, nem com medo, só se pergunta: "Cadê você Deus?". A esta altura o Maverick já está a duzentos quilômetros por hora chegando ao metrô Itaquera. Gabriela e o Maverick, o único casal da noite, o único casal da balada. Uma última vez Gabriela se pergunta: "Cadê você Deus?" E neste momento o Maverick, que já está a duzentos e vinte quilômetros por hora, perde o controle, bate na guia e capota três vezes.
O carro caiu morto em um córrego que fica pouco depois do metrô Itaquera. Gabriela agora não está mais soluçando com as lágrimas e sim com o sangue, o silêncio fere seus ouvidos, ela desmaia.
Barulho, sirenes, Gabriela esta voltando a si, ainda dentro do carro, mas antes que ela possa fazer a pergunta que fez a madrugada toda, Ele se manifesta na voz de um paramedico.
- Hoje, no meu plantão, ninguém vai morrer!

Sobre o autor: O Márcio Brigo é escritor e idealizador do blog Marcio Brigo.