Descobrindo novos cronistas...
sobre o blog
Acredito que todos nós um dia na vida já escrevemos um texto que gostaríamos de compartilhar com outras pessoas, mas cadê espaço?

Foi pensando assim que criei o Vamos Cronicar que tem uma meta muito simples: colocar na internet crônicas e contos de escritores envergonhados, anônimos, de primeira viagem e até mesmo daqueles que já sabem bem o ofício...

Para tanto gostaria de pedir a vocês que mandem suas crônicas, contos, poesias que estão aí, guardadinhas na sua mente ou esquecidas numa gaveta, para cá.

Participe e obrigada por visitar esse espaço!
Volte sempre!

Maria Carolina,criadora do blog
crônicas arquivadas
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Sexta-feira, Maio 30
Vamos
Marcos Kim

Vamos!
Vamos viver bem o dia de hoje. Hoje é "o" dia.
Vamos vive-lo intensamente, curti-lo intensamente.
Vamos viver.

Vamos cantar.
Cantar pelo prazer de cantar, sem pensar na afinação,
na opinião de quem está nos ouvindo.
Cantar o que dá prazer, cantar a música que traz
boas lembranças, inventar novas letras e novas melodias,
pelo prazer de inventar. Cantarolar baixinho no elevador,
cantar bem alto no carro, sem olhar pros lados (eles não são
críticos musicais, certo?). Vamos simplesmente cantar.

Vamos dançar.
Dançar sem exibicionismo, sem afetação. Dançar pelo prazer
de sentir o corpo fluir ao ritmo da música, ao ritmo da imaginação,
ou até mesmo sem ritmo.
Dançar coladinho, dançar soltinho, dançar pelo apartamento,
pelo corredor do prédio (enquanto o síndico não aparece).
Vamos simplesmente dançar.

Vamos amar.
Amar o que merece ser amado, amar quem merece ser amado.
Não vamos amar pela metade. Vamos amar muito. Por inteiro.
Vamos ser inteiros no ato de amar.
Vamos ter menos medo de demonstrar nosso amor.
Vamos aprender a demonstrar este amor.
Vamos aprender a preservar este amor.
É muito fácil nos separarmos. Cada um sofre um bocado, cata
suas coisas e vai pro seu canto, pronto. Não vamos nos render
tão facilmente a isso. Vamos tolerar e compreender mais
quem amamos, porque não é fácil encontrar a quem amar por inteiro.
Há pessoas que procuram a vida inteira
amar e ser amadas, e não encontram. Vamos dar valor ao
amor que encontramos nesta vida.
Vamos dissipar os mal-entendidos, pro amor poder ser inteiro.
Vamos ser sinceros, consigo e com quem amamos, no amor.
Vamos ter menos medo de não ser correspondidos.
Vamos reconhecer e retribuir o valor do amor
que as pessoas sentem por nós.
Vamos amar mais nós mesmos (sem cair no egocentrismo).
Vamos compreender nossas qualidades, nossa condição
de irmanados neste mundo, e perceber que queremos,
precisamos, merecemos ser amados. E vamos nos fazer dignos
deste amor. Vamos nos esforçar pra ser merecedores deste amor.
Vamos simplificar o ato de amar.
Vamos simplesmente amar.

Vamos pensar menos.
Vamos ser mais infantis.
Vamos nos dar o direito de resgatar as boas coisas
de ser criança. Vamos ser mais inocentes, vamos olhar
nos olhos com mais franqueza e transparência, vamos
ser mais curiosos, vamos sorrir sem travas, vamos
nos divertir muito com pouca exigência. E vamos pedir colo,
se quisermos colo. Não vamos ser dissimulados. Vamos desencanar.
Vamos ser mais espontâneos. Vamos ser mais crianças.

Vamos ser bons.
Vamos ouvir o que nos diz o Dalai Lama. "Você não precisa
ter uma religião, você precisa ter uma Conduta Ética Positiva".
Vamos ser éticos, vamos agir positivamente. Vamos ser grandes
com pequenos gestos, que podem surpreender e significar muito
pra quem os recebe. Vamos abrir a porta do carro pra quem
nos acompanha, vamos abrir a porta do elevador, ainda
que não seja o nosso andar, pra ajudar outra pessoa a descer.
Vamos dar atenção à gentileza.

Vamos fazer grandes viagenzinhas.
Podemos sonhar com Taiti, por quê não?
Mas podemos curtir muito uma cidadezinha nas redondezas.
São tantas! Vamos comprar um Guia, deixá-lo no carro,
comentar e compartilhar as dicas com nossos familiares e amigos.
Vamos mudar de ares. Vamos pegar o carro e cair na estrada,
rodar aí uma centena de quilômetros, aproveitar pra cantar bastante
no trajeto. Vamos comer uma comidinha diferente, vamos apreciar
um céu que é o mesmo da nossa cidade, mas você sabe que não é o mesmo.
Vamos sentar num banco da Praça Matriz (sempre há uma) e não pensar
em nada. Apenas, respirar fundo (você já respirou fundo hoje?).
Vamos pra Salesópolis, tão pertinho daqui de Sampa,
pra podermos dizer que um dia nós,
paulistanos, já bebemos a água do Rio Tietê.
É limpíssima!!! Lá na nascente...
Vamos ver, fotografar, filmar, bater perna, vamopelaí. Vamos zanzar
pelas ruas de Santana de Parnaíba, passar por Pirapora do Bom Jesus,
almoçar bem em Aldeia da Serra, relaxar em Guararema,
admirar o Zooparque de Itatiba, comer linguiça de pernil
em Bragança Paulista, morango em Atibaia, subir 1800m em Extrema
e ver ali o pôr-do-sol, contemplar o templo japonês
em Itapecerica da Serra, ver o gigantesco aquário do Guarujá,
as roseiras de Cotia, a pedreira de Mairiporã,
comprar besteirinhas em Embu, visitar os museus de Itu,
voltar pela estrada-parque de Cabreúva,
parar na Fazenda do Chocolate... Vamopelaí.

Vamos nos ver mais.
Sempre reclamamos que vemos poucos os amigos, principalmente
em São Paulo. Ok, trabalhamos demais, todos nós.
Vamos nos esforçar pra não deixar o trabalho nem esta louca cidade
nos sufocar. Vamos curtir mais esta mesma louca cidade,
e curti-la com quem merece, os nossos verdadeiros amigos.
Vamos dar mais valor a eles, vamos compreendê-los
mais. Vamos ser mais amigos dos nossos amigos.
Vamos gastar uns interurbanos pra falar com aquele amigão
do interior, ele merece essa atenção.
Em vez de mandar emails pros amigos, vamos abraçá-los mais.
Vamos usar menos a frase "a gente precisa se ver", vamos nos ver mesmo!

Vamos ser mais cantantes, mais dançantes, mais amantes;
mais infantis, mais generosos, mais circulantes;
vamos ser mais amigos.
Vamos ser mais.
Vamos?

Segunda-feira, Maio 19
... Cores e Formas ...
Kelly Gallan

Na infância, enfeitavam-lhe os cabelos cacheados com fitas, marias-chiquinhas, cachinhos muito bem enrolados. Adorava as cores e tons pastéis, em especial o rosa em todos os seus variados tons. Não usava calças compridas nem por um decreto, "era roupa de menino".
A partir dos 10 anos, se viu obrigada a usar calças jeans como uniforme do colégio, mas como isso marcava a passagem para um colégio maior, e para a 5ª série, não se preocupou, até gostou. Se rebelou contra os cabelos cacheados e afundou-se numa rotina entediante de toucas, escovas e alisamentos que só fizeram piorar a condição dos pobres coitados... Pra enfeitar, fivelas ou o terrível coque com pauzinho chinês, que acabou por virar sua marca registrada. Passou a adotar as cores neutras, como o cinza, o beje, mas principalmente o preto em seu visual um tanto qunato conservador. Saias e vestidos, só em ocasiões muito especiais, como sua festa de 15 anos, em que mais parecia um bombom Sonho de Valsa em tons de rosa e lilás. Odiava com todas as suas forças o vermelho.
Aos 17 anos, entrou pra faculdade e se apaixonou, assim como foi tomada por uma série de transformações radicais na vida, como estudar numa outra cidade, ter pouca convivência com velhos amigos e aprender a conviver com as novas amigas "moderninhas". Por pedido do namorado, cortou os cabelos nos ombros, mas não abandonou o rabo-de-cavalo. Por pedido do terapeuta, foi colocando um pouco de cores e estampas em seu mundo liso e sombrio. Preto agora, só em festas ou pra night.
Ao completar 1/4 de século de vida resolveu radicalizar e adotou o vermelho e seus vários tons como filosofia de vida. Cortou os cabelos bem curtos e deixou-os encher dos velhos e sempre perseguidos cachinhos, tonalizando-os de chocolate. Unhas e lábios também ganharam diversos tons de sua nova cor preferida. Calças, só no inverno, apaixonou-se loucamente por vestidos e saias com estampas florais e tecidos leves.
Da infância, manteve os tons de rosa, azul e lilás; da adolescência, os tons de beje e o preto, é claro... Mas amou usar vermelho na última festa que foi... Do ínicio da juventude, manteve os florais e muito de vez em quando o branco.
Jamais usou verde, amarelo ou abóbora a não ser quando era obrigada por uniformes ou ocasões especiais. Será que um dia conseguirá transpor essa barreira????

Sobre a autora: a Kellyé a idealizadora do Ecos de Um Psicovilarejo (www.ecos.blogger.com.br) e uma colaboradora aqui do Vamos Cronicar. Dessa vez nossa querida Tininha se superou em termos de originalidade e qualidade de texto! Volte sempre, moça!
Sexta-feira, Maio 16
Para todos os que freqüentam esse blog peço que dêem uma olhada no link abaixo e que propagem a sua indignação com o que anda acontecendo com o Austregésilo Carrano Bueno. Divulguem divulguem divulguem!
http://www.novae.inf.br/ativismo/perseguido.htm
Quarta-feira, Maio 14
Sem título...
Nelson Biagio Júnior

Esta é uma carta triste. Hoje comecei a dar adeus aos seus olhos; seu sorriso; seu calor...Hoje comecei a apagar a memória do teu beijo; o teu sabor que insiste em permanecer na minha boca; do perfume que me lembra você...A me desvencilhar do seu doce e sutilmente cruel discurso, repetido à exaustão como uma estranha liturgia.
Hoje começo a me perder nos caminhos que levam à sua casa, ao seu encanto. Começo pacientemente a reconstruir o perímetro, a planejar defesas antes inexistentes, a reforçar a fortaleza que me protegerá de você.
Hoje afasto de mim a sua falta de palavras; o seu excesso de ausências, a sua obstinada cegueira a tudo o que sou e represento, minando a cada dia a minha capacidade de persistir... Hoje, moça, eu te amo mais do que nunca, mas cansei.

Sobre o autor: Nelson Biagio é mais um amigo via net que eu faço, e que me dá o prazer de colocar um texto squi no blog. Ele é meu nobre colega: advogado e historiador também. Querendo saber mais:www.distraidos.blogger.com.br



Terça-feira, Maio 6
A Coluna do Chefe
Claudio Lampert

Vou fazer uma confissão. Sai lá do fundo das entranhas, como um gemido de
dor aguda: eu detesto advogados. Sim, isso mesmo. Tenho horror aos meus
semelhantes. São quase vinte anos de convivência, desde aquele distante seis
de agosto de oitenta em quatro - no meio dos jogos olímpicos de LA -, quando
ingressei na faculdade de direito da UERJ (mesmo banco pelo qual, dez anos
depois, passou nossa amiga Foschia). E foi tempo suficiente para que eu
pegasse pavor à minha própria classe - donde se conclui, por óbvio, que eu
me odeio. Um dos principais pilares dessa aversão - só um advogado usa uma
expressão cafona como essa - é o fato incontestável de que advogados
escrevem muito mal. Mas isso, por si só, talvez só fosse motivo de
compaixão. A aversão aparece, na verdade, quando textos medíocres se juntam
à plena convicção de excelência nas letras, à empáfia e à crença de que o
doutorfulanodetal é um verdadeiro azougue na sua redação. E assim se
consolidam os monstros.
Há muito tempo venho querendo fazer esse desabafo. Epinion é cheio de
leitores advogados que vão se identificar com minha aflição - aliás, acho
que um pouco dos poucos espécimes que escrevem bem deixam suas anotações por
aqui... Mas sempre priorizo outro tema ou outra idéia. Hoje isso ia
acontecer de novo. Mas acabei de ler um texto de um cara que tem certeza
absoluta que é a reencarnação de MA. Não há um errinho sequer no texto. Mas
tudo é muito ruim. Assustadoramente ruim. Empolado, obscuro, indireto,
transverso, mesoclítico, latínico: tudo que condeno em matéria de estilo
está dentro do texto. Pois então resolvi largar um tema metafísico que ocupa
meu coração - é, a metafísica nunca ocupa minha mente, só o meu sentimento -
e transcrever, aqui, uma nota de desabafo que eu redigi no início do ano
para uma estagiária do nosso escritório intergalático. A moça havia me
mandado um email singelo, por recomendação da sua própria chefa - o que me
deixou bastante orgulhoso de mim mesmo, como dizem os gauleses -, pedindo
cópia de pareceres e petições para que ela observasse o meu "texto
jurídico". Abaixo, vai a minha resposta: (antes, um disclaimer: sei lá se
posso ser referência de concisão e estilo e correção gramatical, mas vocês
podem ter certeza que me esforço bastante para (i) não ser cafona e (ii) ser
caprichoso e bonitinho - ainda que, no meio do caminho, escape um "alvoroço"
ou coisa parecida...)
"Letícia:

Que responsabilidade! Mas seguindo a técnica do Farah Farah, aquele
cirurgião plástico de SP, vamos por partes:

1. estilo não se imita (nenhuma crítica ao verbo usado pela Dahia). Cada um
tem o seu e se afastar dele é a melhor maneira de piorar a situação. Mudar
estilo é como tentar mudar personalidade: não dá certo; todo mundo nota;
fica feio.

2. escrever bem e ter estilo aprumado demandam tempo e dedicação. Dois
fatores são essenciais nesse propósito: (i) conhecimento do idioma no qual
se escreve e (ii) muita -- mas muita, muita mesmo -- leitura. Ambos os
fatores demandam tempo e investimentos pessoais polpudos. Pode soar
estranho, mas até hoje estudo português quando tenho um tempo vago -- seja
por meio de uma simples ida à gramática para entender períodos subordinados,
seja pelo fichamento de palavras para serem pesquisadas no dicionário, seja
por meio da leitura das colunas dos especialistas (muito antes de o Pasquale
ter se tornado um astro na mídia, eu já assistia o programa dele na TV
Cultura; advinha a que horas ele ia ao ar? Sábado, 8:30 da manhã...).

3. escrever bem demanda paixão. Sem amor pelo texto você vai, quando muito,
ser uma boa produtora de linhas jurídicas. Não desanime se você não for uma
apaixonada pela escrita. Isso é normal, sobretudo nessa profissão. Mas faça

das tripas coração para se enquadrar em alguma das sugestões que vou dar a
seguir. Se você conseguir, no todo ou em parte, já terá dado passo
significativo para melhorar seu estilo. Vamos lá:

-- Advogados escrevem mal. Escrevem mal porque são pretensiosos. E o mal vem
se consolidando há mais de cem anos e deriva de juristas e magistrados, que
desde a época do império usavam linguagem oblíqua e rebuscada em seus
documentos. Essas pessoas eram, supostamente, parte da elite intelectual
desse país e, por isso, viraram, para leigos e ignorantes de toda a sorte,
referência de boa escrita. E a mediocridade se cristalizou através dos
tempos. Hoje você vê um estudante de direito se sentir no topo do mundo
porque escreve: "Claudio Lampert, já qualificado nos autos supra-referidos,
da Ação que lhe move Letícia Andrade, vem, por seu Advogado infra-assinado,
com fulcro nos arts. 1.220 e 2.009 do CPC, requerer vênia a esse MM. Juízo
para expor, ponderar, e, ao final, requerer, como de fato requer, tudo o
quanto se segue:" Ele mostra a petição para os pais e avós, que se sentem
orgulhosos da cria. Na faculdade, é elogiado por colegas e professores. Os
vizinhos invejam o filho mais novo do Pessanha, que virou doutor na
faculdade Estácio de Sá e escreve muito bem. Mas o filho mais novo do
Pessanha é semi-analfabeto e escreve mal pra caralho. Uma petição bem
escrita teria, somente, o seguinte: "Claudio Lampert, nos autos da ação
movida por Letícia Andrade, requer a esse juízo o seguinte:" Pronto.
Encerrado o festival de ordem indireta, palavras obscuras, retros, infras,
susos, fulcros, próclises e mesóclises, termos capitalizados, termos em
latim;

-- escrever bem é escrever de forma clara. Simplifique sempre. Quando não
for possível simplificar, duvide do seu julgamento e continue simplificando;

-- escreva pouco e critique seu texto. Advogados escrevem muito e se acham o
máximo. Escreva pouco e sempre ache tudo o que você escreveu muito ruim,
ainda que os outros ao seu redor lhe aplaudam (nunca confie no julgamento de
quem te rodeia, porque invariavelmente são piores do que você);

-- use a ordem direta sempre. Sujeito, verbo, predicado, ponto. Nova idéia.
Sujeito, verbo, predicado, ponto. Nova idéia. E assim por diante. O seu
estilo vai nascer da sua capacidade de criar a energia para a conexão das
suas idéias: milhões de neurônios perdidos querendo trocar informação: o
estilo é a sinapse que vai unir as gelatinas; é a goma que vai juntar as
peças do seu texto;

-- evite orações subordinadas explicativas no meio do texto. Use apostos só
para dar ênfase ao seu raciocínio e nunca para incluir uma idéia nova;

-- use vocabulário simples e objetivo;

-- preste atenção para a simetria verbal do texto. Defina o tempo da
narrativa e vá com ele até o final. Texto jurídico não é romance proustiano,
onde Albertine tem que ficar indo e vindo no tempo (aliás, em busca do
tempo);

-- aprenda a pontuar. Descubra o valor do ponto e vírgula, do travessão, do
parêntesis e do colchete;

-- tenha extremo cuidado com os pronomes que intoxicam o texto (esse, este,
essas, esses, aqueles, aquelas, umas, uns, uma, um). Isso é recurso de quem
não escreve na ordem direta e emenda idéia com idéia com idéia. Quem escreve
na ordem direta e com períodos curtos precisa muito pouco desse grupo de
palavras;

-- cuidado com a colocação pronominal. Use a próclise com muita reserva.
Nunca use a mesóclise;

-- errar crase é o oitavo pecado capital;

-- reveja seu texto até a vista embaralhar. Salve. Guarde. Durma. Acorde de
manhã e reveja uma última vez. Mude tudo se for necessário e comece de novo.
Se você perder seu emprego por causa disso, terá sido demitida por uma causa
justa;

-- em anexo não existe. Anexo deve ser usado como adjetivo e não se presta à
formação de uma locução adverbial que indica lugar. Aliás, pare de usar essa
referência. Quando você diz "prezado Claudio, estou encaminhando [em anexo]
para a sua revisão minuta de contrato...", tenha certeza que o tal Claudio
só poderá encontrar a tal minuta anexa à carta. Em que outro lugar poderia
estar a tal minuta?

-- compre o manual de redação e estilo do Estado de São Paulo. A gramática
do Ceslo Cunha. O Aurélio de mesa. Os dicionários de regência e sinônimos do
Luft;

-- leia Machado de Assis;

-- leia Nelson Rodrigues;

-- leia Ruben Fonseca.

Cheguei ao fim. Posso enviar coisas que escrevi para você ler. Mas já
adianto que não há diferença qualquer entre meu texto jurídico (ah, como eu
odeio essa classificação pernóstica) e o texto de um bilhete meu para a
empregada da minha casa. Portanto, sugiro que você leia as colunas que
escrevo toda terça-feira no Epinion (http://epinion.bolgspot.com). Esse
trabalho, apesar de ser feito em forma de crônica, reflete bem minha forma
de escrever.

Escolha, agora, o encerramento desse email:

(A) Fico, também, à disposição para quaisquer esclarecimentos que porventura
se fizerem necessários, bem como para auxiliá-la na revisão de quaisquer dos
seus textos, subscrevendo-me,

Atenciosamente,

OU

(B) Fico à disposição para rever seu trabalho,

Um abraço"

* * * * *
É isso aí. Ficou meio longo, mas paciência. Ia falar sobre a demissão do
Oswaldo de Oliveira, mas fica para a próxima semana.

Sobre o autor: recebi este texto via mail de uma amiga. Não tenho dados sobre o autor,mas não importa... o texto é fantástico e uma lição pra todos os futuros escritores.