Sexta-feira, Abril 25
Café da Manhã
Ana Flávia
Café da manhã há um bom tempo é a minha refeição predileta. Acho que a minha parte colonizada interiorizou e muito a questão do BREAKFAST norte-americano. Vai saber... rs rs Talvez porque sempre tenha sido um pouco chata para comer e no desjejum não há saladas... rs rs.
Enfim... eu acho que meu mau-humor matinal seria em muito amenizado se pudesse ter tempo para desfrutar de um café da manhã decente. De repente é até a falta deste que me deixe irritadiça...
Em hotéis eu me realizo. A mesa farta é o que há... Sucos, bolos, frutas, pães de todos os tipos cores e sabores... , leite, queijos ... ai ai.. Delírio total...
Ficaria umas três horas tomando café e batendo papo... Preguiçosamente alimentando-se e jogando conversa fora... Esqueço da vida...
Aliás, é impressionante o quanto a socialibilidade está ligada à comida...
As principais festas e celebrações, confraternizações entre família e amigos estão ligadas à banquetes... Isso, de uma Sociedade que cobra corpos esbeltos chega a ser hilário...
Muitas vezes considera-se falta de educação não oferecer algo para forrar o estômago dos visitantes...
Comer é prazeroso e em boa companhia melhor ainda... Entretanto não é a única forma de desfrutar o contato de pessoas queridas. Parece que há pessoas que só ao redor de uma mesa conseguem estar perto de outros seres humanos... Estranho, né??
Tudo bem que essa divagação a respeito de comida seja por demais pequeno-burguesa e que o importante seja ter algo para comer. E que seja capaz de nutrir os organismos lhes conferindo a força física para seguir em frente.
Sobre a autora: Bom, nem vou falar mais nada... a Aninha já é acionista do Blog!!!
Sábado, Abril 19
O Inenarrável
Paulo César Nascimento
- Seu Geraldo, o senhor que escreve tanto sobre sexo, poderia me explicar o que é um orgasmo?
Disse a ela:
- Ju, querida, desculpe a insolência desse seu quase avô. Vou traçar um mapa para que você encontre esse tesouro na impossibilidade de entregá-lo en forma de retrato. Seu corpo é um campo perfumado. Hoje à noite ao chegar em casa, você deverá vasculhar esse campo.É lá que o tesouro se esconde. Deixe que tudo silencie acenda uma vela e comtemple o campo no espelho. Haverá vales e montes, uma folhagem não tão densa e uma flor de delicadas pétalas. Sua unhas serão o arado a revolver a terra do vale de seu ventre passando pleas colinas e pelos montes que dali se aproximam. Deixe algum orvalho umedecer o arado, depoisitando-o sobre os altivos picos. Are depois as terras próximas a folhagem deixando que o jardim seja regado. Aproxime-se do espelho e olhe entre os arbustos. Verá a bela flor que mencionei. Separe as pétalas com cuidado e encontrará um delicado botão. Nele mora um gênio, poderoso e travesso, um tanto temperamental. Toque-o e deixe a flor erubescer que uma fonte irá suavemente correr pelo vale perfumado. Acarinhe o delicado botão, até que o gênio agradecido lhe entregue o tesouro que procura.
Sobre o autor:
Paulo César Nascimento é um dos meus amigos mais queridos, professor, psicólogo e um ótimo escritor. Ele está linkado a esta página no link sutis indecências aí ao lado. Esta é somente uma amostra do trabalho dele no livro
Sutis Indecências.
Quarta-feira, Abril 16
Fases da vida (de dúvida)
Clemente Gonzaga Leite
I
Quando vejo uma criança inspira-me a inocência
Seja na postura, no seu sorriso ou por si só
Quão maravilhoso seria se se crescesse na permanência
Desta conduta que de tão inocente nos dá até dó
II
Quando vejo um adolescente inspira-me a indagação
Com suas dúvidas e seus constantes questionamentos
Mas, como muitas respostas prosseguem sem definição
Acabam tornado-se adultos com muitos tormentos
III
Ao ver um homem adulto completamente atormentado
E até com seus sentimentos indefinidos
Indago-me: como estaria do meu lado
Meus anseios e frustrações sempre aturdidos?
IV
Onde estaria então a resposta?
Onde se busca e se alcança a felicidade?
Possivelmente ela não esteja para nós disposta
Em qualquer fase da vida, em nenhuma idade.
Sobre o autor:
Clemente Gonzaga Leite, 55 anos, é professor e gestor universitário.
APENAS UM HOMEM COMUM
J. Carino
Olho as ruas da minha cidade e já não a reconheço. Onde o pôr-do-sol por sobre minaretes avermelhando tudo? Onde a brisa que vem do deserto trazendo um afago cálido da natureza depois de um dia de trabalho? Onde a sombra da tamareira que refresca o corpo e permite a calma da mente?
Ouço os barulhos de minha cidade e meus ouvidos já não os reconhecem. Não me chega aos ouvidos o som que vem da mesquita arrebanhando os fiéis para as preces três vezes por dia, fazendo o corpo se voltar para Meca e o coração para Alá.
Minha cidade está coberta de pó, fumaça e cinzas; os sons de explosões me entram pelos ouvidos e me sacodem o corpo, que treme mergulhado no medo, afogado em pavor.
O céu de minha cidade está negro, como negra está a alma dos que a fizeram ficar assim. Ao invés do sol escaldante porém majestoso e da noite perfumada e coalhada de estrelas, o brilho apavorante de projéteis que cruzam os céus com destino certo: um ponto de destruição, onde haverá corpos despedaçados e habitações em ruínas.
Vagueio atônito por minha cidade. Em minha mente, só perguntas sem resposta: por que tanto ódio, tanta fúria, tanta dor? Por que conosco, pobres mortais, indefesa gente, normalmente pacífica, amante de música, de dança, de alegria?
Não há respostas; existem apenas perguntas que ecoam pela rua, pelo país, pelo mundo; que reverberam apenas nos corações sensíveis, capazes de compaixão.
Ando pelas ruas, sem rumo, sem motivo, sem destino. E mesmo porque já mais nada me resta senão andar, movido pelo instinto da sobrevivência, que já me falece nas entranhas, levando-me ao limiar da desesperança, à vizinhança da falência total da vontade, que acabará por me tornar mais um corpo estendido numa destas esquinas.
Penso no mundo que nos vê, que observa nossa desgraça; que nos olha sendo presos, torturados, mortos; que nos vê despojados de bens e sobretudo de dignidade; que nos olha de longe, do conforto de suas casas, abrigados e aquecidos, como quem assiste a um espetáculo, contemplando entre perplexos e passivos o show proporcionado pelo sofrimento.
Ando pelas ruas e apenas meu coração chora, pois não tenho mais lágrimas que me possam rolar pelo rosto de pele escura tostada pelo sol de minha terra. Choro pelos que amava e que perdi ainda agora: pais, mulher, filhos, os parentes todos, quase todos os amigos.
Sou um homem comum. Não sou um ditador nem um guerreiro poderoso e insensível. Não sou arrogante nem cruel. Não tenho palácios nem riquezas. Não sou o dono do líquido viscoso e negro, cuja valor econômico e estratégico o torna mais importante que a vida, o dom supremo. Então, por que desabam sobre mim todas as desgraças e todas as bombas capazes de ser lançadas pela mão da covardia?
Não tenho raiva, mas pena. Do meu âmago irrompe um irrestível sentimento de pena, que consegue ser mais forte do que o ódio. Pena de nós, seres humanos, capazes de chegar aos extremos da vilania e a inimagináveis requintes de crueldade.
Não quero mais nada, senão a paz. Porém, se ainda posso desejar alguma coisa; se ainda me for dado querer algo; se ainda me concedem um pouco de vez e voz, almejo que cada um pense em nosso sofrimento de hoje, de amanhã, do futuro. E que cada homem, mulher e criança do mundo nos veja não como alvo, obstáculo ou mesmo como motivo de lástima, mas como um espelho, no qual esteja refletida a capacidade humana de odiar, matar, destruir, fazer sofrer. E que essa imagem refletida a partir de mim, um iraquiano comum, de nós, um povo vilipendiado, agredido e sofrido, voe no tempo e no espaço e cale fundo na alma dos que ainda conseguem crer no bem, na justiça e na capacidade humana de amar.
Sobre o autor:
J. Carino é mais um colaborador que sempre aparece por aqui. Venha mais vezes e obrigada!
Quinta-feira, Abril 10
Nem as mães são felizes: carta aberta às mães de Bush, Blair e Howard
Sônia Bonzi
Senhoras,
Não posso, como mãe, deixar de pensar em vocês.
Nem sei se estão todas vivas, mas não importa,
mesmo que mortas, mãe é mãe. Imagino o tanto que
se perguntam: Meu Deus, onde foi que eu errei?
Impossível não sentir culpas. Saber que milhares
de pessoas mundo a fora querem que seus filhos
desapareçam, que são comparados a Hitler, ao
satanás e seus cachorros, que são tidos como uns
palhaços, ridículos, cínicos, mentirosos deve doer
demais.
Imagino-as sentadas em seus confortáveis sofás,
televisão ligada. As imagens e falas de seus
filhos e o que pensa deles a grande maioria das
pessoas do planeta. Que dó que me dá de vocês!...
Pensar que os meninos voaram tão alto, ocupam
cargos tão importantes e não sabem fazer bom uso
do poder que têm, deve cortar o coração.Muitas
vezes, só buscando alívio nos tranqüilizantes,
afogando a decepção no álcool , não é mesmo? Estou
certa de que vocês se questionam: será que esses
meninos não estão indo longe demais? O peso da
impotência deve lhes cair sobre os ombros como um
fardo. É muito difícil, para nós, mães, aceitar
que os filhos estão errados. A gente procura
sempre uma desculpa, um jeito de justificar as
atitudes deles, por mais loucas que nos pareçam:
filho é filho. Mas, em nosso âmago, lá nas
entranhas, sabemos que eles estão sem rumo, muito
diferentes daqueles filhos com que sonhamos - e
isso nos fere, gera em nós grande aflição. Penso
ouvi-las confidenciando com as amigas mais
chegadas, aquelas que viram os meninos nascer,
sobre seus pesares¿Sempre que vejo seus filhos,
sofro por vocês. Ponho-me em seus lugares. Meu
Deus!¿Não estaria morta de vergonha, a cara no
chão, se meu filho fizesse um papelão desses? Deus
me livre e guarde!... O meu filho querido, saído
de mim, ficar falando inverdades, camuflando
intenções, desafiando as trevas, desejando ser
dono do mundo, sem respeito pelos seus
semelhantes, impositor de suas idéias,
exterminador, torturador, corrupto e corruptor,
sem princípios, sem alma? Um arrepio fino corre
pelo meu corpo: só de pensar. Nossa Senhora que me
livre de ter que enfrentar uma loucura dessas!...
Como se sentem? Espero que tenham ombros onde
chorar, buracos onde se meter, médicos por perto
para socorrer qualquer infarto¿
Mas nunca é tarde. Chamem seus filhos, dêem-lhes
colo, carinho, conversa, pontos-de-vista,
argumentos¿ Tentem convencê-los de que está
ficando difícil para vocês como mães. Façam de
tudo e, se, por acaso, eles não quiserem ouvir,
dêem aquela surra, aquele castigo que, um dia, se
arrependeram de não ter dado. Ainda é tempo para,
pelo menos, não serem omissas. Tem hora que a
gente precisa assumir nosso lugar de mãe, dar
coordenadas, mandar os meninos descerem das
alturas, encararem o chão, o real. Façam o favor
de dar uma enquadrada nesses seus moleques. Contem
comigo, com minha solidariedade de mãe e minhas
rezas. Delas vocês estão precisando!¿
P.S. Minha amiga Eliana coloca um chicote à
disposição!¿
Sobre a autora:
Sônia Bonzi é escritora. Colaboradora da Novae em
Sidney, Austrália. Este texto foi publicado em primeiro lugar nesse endereço aqui:
www.novae.inf.br e me foi cedido para publicação pela Cris Fernandes. Obrigada Cris!
Segunda-feira, Abril 7
Triste, porém real.
Vítor Tepê
Presenciamos na última quinta-feira, dia 03 de abril de 2003, um fato lastimável, porém histórico em nossa singela capital.
Esgotada com a crise em que se encontra o transporte público na Grande Goiânia que nunca foi de qualidade, e piora cada vez mais e mais a população tomou atitudes drásticas contra as empresas concessionárias, destruindo alguns veículos.Claro que radicalismo não é o melhor dos caminhos a se tornar, mas foi uma atitude extremamente justificável, ao pensar que o povo acorda de madrugada para ir trabalhar e não consegue tomar um ônibus e, quando consegue, encontra-o completamente lotado e ainda chega atrasado. Isso é um absurdo, pois todo cidadão tem direito a transporte público, direito esse garantido por lei. E praticamente não o há em Goiânia. Não falo nem em transporte de qualidade, pois isto é um sonho distante, pois a ganância dos empresários do setor nunca permitiria.
Daí vem os tais empresários e para exclusivamente proteger seu patrimônio retiram toda a frota das ruas, deixando milhares e milhares de pessoas sem nenhum meio de condução viável.
Assim como não acredito na versão dos empresários, de que os líderes do transporte alternativo ou Os Alternativos, como foi citado na televisão local tenham incitado a população a tais atos de violência, não acredito em teorias de conspiração, onde os próprios representantes das concessionárias teriam o feito para justificar um aumento de tarifa. Acredito sim que a população brasileira no geral esteja de saco cheio, e que esteja aprendendo quem são os verdadeiros vilões.
Não posso deixar de mencionar a ridicularidade da atitude do SETRANSP* (Sindicato das Empresas de Transporte de Goiânia), que no meu ponto de vista não passa de puro coronelismo de uma elite atrasada, com comportamento basicamente agrário, muito peculiar à nossa querida cidade.
Acho que HP e Rápido Araguaia (empresas concessionárias) só podem estar comemorando o aniversário da Revolução de 64 também muito conhecida como Golpe Militar.
*Obs.: É muito ridículo, em Goiânia tem sindicato de burguês.
Sobre o autor: Vítor Tepê é o primeiro escritor do nosso blog que fez uma crônica botando a boca no mundo e denunciando o descaso das autoridades. O moço aí promete...
Quinta-feira, Abril 3
Medo
L. Cypher
Conheci certa vez um casal muito particular. Já eram casados há muitos anos, ele bem humorado e excêntrico, ela era tão doce quanto uma pessoa poderia ser. Ao meu lado, faziam da sua casa o paraíso na terra .
Uma vez ouvi os dois discutindo, mas não dei bola. Já conheci muitos casais felizes como aquele, e todos tinham seus pequenos desentendimentos. Sempre os via de final de semana , cortando a grama, ou arrumando alguma coisa na casa, que era uma das mais bonitas da vizinhança embora eles não fossem os mais ricos, e eu sentia um orgulho bobo, quando passava na frente da casa deles, como se aquilo fosse um aviso que todos podemos ser felizes, nessa vida.
Conforme o tempo foi passando, notei que na verdade os dois tinham brigas muito mais freqüentes que eu imaginava, e logo pensei que deviam estar passando por momentos difíceis, a crise, a falta de dinheiro.
A vizinha invejosa revelou que as brigas sempre existiram, e que eram terríveis. Ele tem ódio no sangue, ela revelou. Naquele instante meu pequeno mundo caiu por terra, porque minha idéia de casal feliz estava totalmente errada. Ele era agressivo, e ela apenas submissa. Aquilo me chocou muito. Soube depois que grande parte do comportamento dele era herdada dos pais, seu pai era um homem rude, que sofreu muito na vida, e parecia ter um prazer mórbido em fazer as outras pessoas se sentirem mal.
Ele deve ter sofrido muito com isso, e talvez seja essa a razão de tanta agressividade. É uma herança de sangue, que passou de geração para geração.Tudo isso me assusta muito.
Ele é meu pai.
Sobre o autor: O Cypher é mais um amigo feito via net e criador do blog
Cypher1987 (se você gostou do texto dele dá uma passadinha lá que tem muitos mais!!!!)
Quarta-feira, Abril 2
A Campainha...
Ana Flávia
Moro no Rio de Janeiro. Tenho 1,55. Tá, normalmente uso sapatos altos... ;-). Mas uma coisa tem me deixado bastante irritadiça nos últimos tempos...
Os ônibus nos quais se entra pela frente!!!!!!! É... aqui no Rio os passageiros até bem pouco tempo entravam pela porta de trás e saíam pela da frente.
Pois bem... a nova frota inverte a coisa toda. É tragi-cômico ver as pessoas meio perdidas sem saber para que porta correr... rs rs..(Que maldade a minha, né???) Entre elas muitas vezes eu...
Todavia isso não é o pior... além do recente aumento nas passagens... Muitos dos novos veículos não tem os botões de campainha nos ¿postes¿ que tem em alguns pontos dos ônibus para que as pessoas ali segurem. Ideal para os baixinhos que não alcançam a cordinha... rs rs.
Bem, como os velhinhos têm de ficar segregados perto do motorista, após a roleta geralmente não tem nenhum desses botões... e as minhas alternativas são...
OPÇÃO A : Sentar em um banco alto para facilitar as coisas... rs
OPÇÃO B: Pedir para que toquem a campainha. Olha que jeito legal de conhecer pessoas... rs rs rs
OPÇÃO C: Torcer a viagem inteira para que tenha no ônibus pelo menos uma boa alma que vá saltar no mesmo ponto.
OPÇÃO D: Fazer a maior algazarra para que motorista e trocador resolvam notar que quero saltar... rs rs rs
O que você escolheria??? ;-)
Por isso resolvi iniciar uma campanha para instalação dos botões que devolveriam a minha dignidade perdida. Rs rs . Sério gente... Normalmente me estico toda para conseguir puxar a cordinha e deixar claro que queria saltar... E o básico de Ana Flávia... Com pasta, fichário, prendedor de cabelos e celular na mão... rs rs... Um primor de atolação...
Isso me fez parar para pensar... E a conclusão que cheguei??? Porque muitas vezes acabamos por dificultar as coisas? Principalmente para os outros... Ao invés de facilitar...
Ana Flávia: nem vou comentar... ela já é sócia do Vamos Cronicar!
www.verborragias.blogger.com.br